A Polícia Civil prendeu neste domingo mais um acusado de envolvimento com a chacina ocorrida no povoado Lagoa Bonita, em Porto da Folha (Sertão), onde três pessoas de uma mesma família foram encontradas mortas no último dia 25. Trata-se do pernambucano Egilson Sales da Silva, que é tratorista e trabalhava na fazenda do aposentado Antônio Joaquim de Freitas, o "Totonho", 78 anos. Segundo a polícia, ele participou diretamente do planejamento e da execução de um assalto à fazenda, crime que culminou com o assassinato de Antônio, da esposa dele, Maria da Conceição Freitas, 74, e da filha, Maria Célia de Freitas, 48. Egilson foi preso no povoado Vaca Serrada, em Porto da Folha.
O primeiro e principal acusado pelo triplo latrocínio é Eduardo José dos Santos, 22, que está preso desde a última sexta-feira em Tangará da Serra (MT), onde foi encontrado por investigadores da Polícia Civil mato-grossense, a partir de informações passadas pela polícia sergipana. Eduardo teve sua prisão temporária decretada pela Comarca de Porto da Folha e tinha fugido de avião para o Mato Grosso, onde ficaria na casa de parentes, mas foi detido assim que o ônibus no qual viajava chegou em uma rodoviária. "Com medo de que a gente chegasse até ele, Eduardo fugiu inicialmente para Campinas [SP], depois para Cuiabá [capital do MT] e de lá para Tangará da Serra. Nós vínhamos acompanhando a fuga dele e, assim que o mandado de prisão saiu, nós conseguimos prendê-lo", relata o coordenador de Polícia do Interior, delegado Fábio Pereira.
De acordo com o delegado de Porto da Folha, Alexandre Felipe, os dois acusados confessaram o crime, mesmo com algumas divergências, e admitiram que pretendiam roubar uma quantia em dinheiro que supostamente era guardada na fazenda de "Totonho". "Eles receberam uma informação de que a vítima tinha uma quantia elevada de dinheiro em casa. E, aliado a isso, a vítima era conhecida na região como uma pessoa de posses, um fazendeiro bem-sucedido. Isso então alimentou a ganância deles. Mas, chegando lá na fazenda, o que eles encontraram foi bem aquém do que eles esperavam", explicou Felipe, relatando que, entre os objetos roubados, estavam um telefone celular e um revólver que foram apreendidos em um frigorífico pertencente ao pai de Eduardo, no povoado Sítios Novos, em Poço Redondo.
Descobriu-se ainda que as vítimas morreram por terem reconhecido os assaltantes e, principalmente, o tratorista Egilson. Segundo o delegado, o ato de enforcar e dependurar os corpos das vítimas foi uma opção dos próprios acusados, para não chamar a atenção dos vizinhos da fazenda, dentre os quais estava um dos filhos de Antônio. "Na verdade, o casal estava com as mãos amarradas para trás e foi enforcado. A filha do casal [Célia] também seria enforcada, só que o fio usado para prendê-la na viga do telhado ‘torou’ [rompeu] e ela caiu. Aí, eles resolveram matá-la a facadas. Eles não atiraram para não despertar a atenção, porque há outras propriedades que são muito próximas do local do crime", explicou Alexandre.
A polícia investiga agora como eram as relações trabalhistas de Egilson, que já respondeu a processos por roubo, furto qualificado e porte ilegal de arma na comarca de Buíque (PE), da qual era foragido. Também é apurada a relação do tratorista com Eduardo e com outros comparsas que também participaram da chacina, os quais já foram identificados pela Delegacia de Porto da Folha. A expectativa é de que outros detalhes do crime sejam revelados após a transferência de Eduardo, que deve ser trazido de Cuiabá para Aracaju ainda nesta semana.

