Milton Alves Júnior
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Todas as Unidades de Pronto Atendimento administradas pela Prefeitura de Aracaju estarão sem médicos no dia de hoje. A medida aprovada por unanimidade durante assembleia geral realizada na sede do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed) tem como principal objetivo pressionar a administração municipal da capital para que possa atender às reivindicações apresentadas pela categoria. Os médicos exigem, entre outros pleitos, a reabertura do diálogo acerca do reajuste salarial, qualificação nas condições de trabalho e ampliação do quadro funcional. Desde o último mês de dezembro sem ser convidado para debater os avanços do Sistema Único de Saúde (SUS), o sindicato encontrou na paralisação de hoje a medida mais adequada para reforçar o pleito coletivo.
Apesar de ter confirmado a adesão de 100% dos médicos nas UPAs, a direção do Sindimed garantiu que a porcentagem mínima de 30% da categoria trabalhando será cumprida, conforme determina a Constituição Federal. Este número reduzido de profissionais foi definido em escala especial que estará presente unicamente nas unidades Fernando Franco – no Conjunto Augusto Franco, e Nestor Piva – zona Norte de Aracaju. Logo mais às 14h os médicos promovem um ato público nas intermediações do Centro Administrativo Aloísio Campos, caso a Secretaria Municipal de Saúde não apresente contrapropostas, a classe trabalhadora pretende deflagrar automaticamente outra paralisação de um dia a partir da próxima terça-feira, 26.
Com o feriado de Tiradentes se aproximando, os médicos também não descartam a probabilidade de uma paralisação de maior escala a ser realizada já na próxima sexta-feira, 22. Com isso, os aracajuanos podem ficar sem o atendimento médico entre quinta e o domingo, 24. Na avaliação do diretor do Sindimed, Luiz Carlos Pina, o governo João Alves Filho tem atuado de forma incoerente com o que fora prometido em campanha eleitoral no ano de 2012. "Desde dezembro estamos encaminhando ofícios para relembrá-los a nossa proposta de campanha salarial, proposta essa que ainda não veio. Ficamos muito surpresos quando um projeto de lei foi aprovado na Câmara de Aracaju sobre o reajuste salarial de uma parte dos servidores da prefeitura", afirmou.
Ainda de acordo com o sindicalista, a classe médica não tem interesse em prejudicar a vida daqueles que dependem exclusivamente do precário SUS de Aracaju, mas sim, lutar por direitos trabalhistas e demais ações governamentais que ajudam a melhorar o atendimento aos pacientes. Questionado sobre a possibilidade de suspender as paralisações previstas para os próximos dias, Luiz Carlos informou que se trata de uma tendência real, porém alega que categoria está insatisfeita com a atual gestão e que pouco acredita na possibilidade de receber uma contraproposta a qual satisfaça a categoria. O Sindimed reafirma que a PMA não está dando atenção à classe médica.
"É preciso repassar para a população que a decisão de cruzar os braços não é, e nunca foi, um desejo dos médicos, mas infelizmente a Prefeitura de Aracaju não nos convida para conversar e a interrupção dos serviços é a única atitude viável para lutarmos por nossos direitos. Se a contraproposta não chegar até hoje à tarde já está definida e aprovada uma paralisação para o dia 26", pontuou. Sobre a paralização de hoje, e a probabilidade dos demais atos públicos nos próximos dias, a Prefeitura de Aracaju não se manifestou oficialmente. Essa postura governamental tem gerado insatisfação em outras categorias.
Enfermeiros – O Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (SEESE) indicou greve dos servidores a partir do dia 02 de maio, caso a PMA permaneça sem pagar os funcionários dentro do mês trabalhado. Essa decisão já havia sido deflagrada em assembleia realizada no início do ano, e voltou a ser reforçada na semana passada quando os enfermeiros que atuam junto à SMS participaram de nova reunião extraordinária. "A falta de condições de trabalho atrapalha o desenvolvimento das nossas funções e não podemos mais aguardar de braços cruzados pelas melhorias que nunca chegam. A promessa da prefeitura era regularizar o pagamento salarial em março, mas isso não aconteceu e ajudou a inflamar ainda mais a paciência de todos", declarou Shirley Morales, presidente do SEESE.

