Não há como culpar o cidadão pela descrença associada à prestação de serviços públicos no Brasil. A precariedade constatada no cotidiano da população, muito mal assistida em matéria de quase tudo, sobretudo no fundamental, a exemplo da educação, mobilidade e segurança pública, é notória. No que diz respeito às atividades do Sistema Único de Saúde, entretanto, é preciso uma análise mais cuidadosa. O SUS é o maior plano de saúde atuando em Sergipe.
Os leitos disponibilizados pelo SUS, por exemplo, respondem por quase 70% das vagas em UTI criadas em Sergipe. São 371 leitos atrelados à rede hospitalar pública e filantrópica, contra apenas 163 da rede particular. Ruim com o SUS. Muito pior sem ele.
Com a efetivação do SUS, o Brasil se tornou o primeiro país do mundo com mais de 150 milhões de habitantes comprometido com a oferta de saúde universal. Não é pouco. Trata-se de garantir desde o simples atendimento ambulatorial até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral e gratuito para toda a população do país. Quem aguarda atendimento nas unidades sobrecarregadas país afora certamente vai se surpreender, mas isso bastou para transformar o SUS em referência mundial em saúde pública.
O que não significa que as políticas públicas do setor não necessitem de muitos ajustes. A criação da Fundação Hospitalar de Saúde, em âmbito estadual, por exemplo, nunca foi ponto pacífico. Para os movimentos sociais, a iniciativa fere a Constituição, uma vez que transfere a responsabilidade sobre a gestão de bens públicos para terceiros. Nesse contexto, a falência administrativa alegada pelos sindicatos da área – segundo os quais as unidades de saúde vira e mexe enfrentam restrições materiais constrangedoras- até que faz muito sentido.
Trocando em miúdos: Há muito a ser devidamente enfrentado na oferta de assistência médica à população, sobretudo na rede básica de saúde, cujas deficiências reverberam no sistema inteiro. O SUS, no entanto, longe de ser um problema, é um grande aliado e a maior esperança de solução.


