Falta de manutenção pode ter sido a causa de acidente em shopping

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

As primeiras investigações sobre a queda de uma peça metálica da torre do Shopping Jardins, ocorrida na sexta-feira passada, começam a apontar que houve falha na manutenção da estrutura, construída no local desde a inauguração do estabelecimento, em 1998. O objeto, um adorno metálico que mede cerca de um metro de diâmetro e estava no topo da torre, apresentava sinais de ferrugem na parte que estava soldada à base da estrutura e acabou se partindo, por causa da corrosão. Estas constatações iniciais partiram do Instituto de Criminalística e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (Crea/SE), que já realizaram suas respectivas análises iniciais no local do acidente.

A estrutura caiu de uma altura de 20 metros e acertou duas pessoas que estavam no canteiro junto à torre, próximo a uma das entradas do shopping. Uma delas, a estudante e vendedora Cláudia Ticianny Freire dos Santos, 21 anos, foi atingida na cabeça e morreu a caminho do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A outra vítima, o estudante Ítalo Ramond Rodrigues Damascena, 25, teve a perna esquerda parcialmente esmagada e foi internado no Hospital Primavera, no Jardins. Segundo o boletim médico, ele se recupera bem de uma cirurgia e apresenta quadro de saúde "estável, sem intercorrências", mas ainda sem previsão de alta.

O totem de metal foi periciado na manhã de domingo por uma equipe da Criminalística, acompanhada pelo delegado Everton Santos, da 1ª Delegacia Metropolitana (1ª DM). Por cerca de uma hora, eles fotografaram e mediram a peça, que foi apreendida e levada a um local não divulgado. Foi usado ainda um drone para gravar imagens da base que prendia a peça, cuja ponta estava igualmente corroída. "Houve corrosão e rompimento da estrutura. Nós vamos identificar exatamente as circunstâncias desta queda. Se não houver culpados, o inquérito será remetido como acidente, mas, se realmente houver alguém que tenha negligenciado a questão da manutenção [da torre], será concluído como homicídio culposo", disse Everton, que deve ouvir técnicos da área, testemunhas do acidente e os funcionários e gestores do Jardins.

Além da Polícia Civil, o Crea também fará uma investigação técnica sobre o acidente nos próximos 30 dias, através de uma comissão formada por cinco engenheiros das áreas de Segurança do Trabalho, Engenharia Mecânica e Engenharia Civil. Ontem, eles se reuniram com a presidência do órgão e os representantes do shopping, em busca das primeiras informações. Na ocasião, a empresa afirmou que vinha fazendo uma manutenção periódica na torre e chegou a apresentar uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento exigido pelo Conselho, datada de 2012. No entanto, os engenheiros também acreditam na hipótese da falta de manutenção, por causa da ação do tempo sobre o totem da torre.

"Se uma estrutura daquele porte cai, e visivelmente foi constatada ferrugem na peça que desabou, é, no mínimo, uma manutenção falha. Porque, se houvesse uma manutenção efetiva, consistente e bem adequada, estudada, haveria uma recomendação para a recuperação da estrutura. E com certeza, ela não cairia", avaliou o presidente do Crea, Arício Rezende, pontuando que a estrutura sofreu com os efeitos do tempo. "Tudo leva a crer que isso foi causado pelas intempéries da natureza, como chuva, vento, cloretos, há uma maresia muito forte naquela área, e que fez com que a peça e sua estrutura de solda se rompesse. E foi visivelmente verificado que há ferrugem na peça que foi rompida", explicou.

Arício disse ainda, em coletiva de imprensa, que o laudo técnico do Crea será encaminhado à Secretaria da Segurança Pública (SSP) e ao Ministério Público Estadual. No âmbito administrativo, caso se comprove alguma culpa do engenheiro responsável pelo shopping, a investigação será analisada pela Câmara de Engenharia Civil e pelo Conselho de Ética do Crea, podendo provocar um julgamento do profissional na mesma Câmara. As punições administrativas previstas em lei podem ser uma advertência, uma suspensão temporária ou mesmo a cassação do registro profissional.

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