Prefeitura abandona obra da avenida Canal 3 no Augusto Franco

Orçada em 5.167.872,33 e prevista inicialmente para ser concluída até a primeira quinzena do último mês de fevereiro, a obra de pavimentação das avenidas Caçula Barreto e Tarcísio Daniel dos Santos, no conjunto Augusto Franco, em Aracaju, continua parada e gerando problemas para os milhares de moradores que residem na localidade. Após os sucessivos atrasos no ano passado, esta semana a Prefeitura de Aracaju comunicou que pretende realizar uma nova licitação para as obras, mas não apresentou datas. Atualmente com menos de 10% da obra concluída, a modernização da avenida Canal 03 prevê também a construção de serviço de drenagem, construção de duas pistas de nove metros cada, ciclovia, bancos, paisagismo e duas calçadas laterais.
Na tarde de ontem o Jornal do Dia voltou ao canteiro de obras abandonado e se deparou com populares que questionavam o motivo para a ampla demora no reinício das ações. Em resposta, a administração municipal destacou que a antiga empresa responsável pelo serviço ‘não demonstrou capacidade técnica durante o andamento dos serviços, o que provocou a rescisão do contrato’. A réplica argumentativa gerou ainda mais revolta aos aracajuanos que aguardavam com ansiedade a solução dos problemas para a região. Em meados de 2012 a promessa eleitoreira era de cumprimento do progresso estrutural em tempo hábil. Hoje, o espaço apenas dispõe de 30 manilhas de concreto, e um barraco inabitado – antes usado poucas vezes por operários.
Para Antônio Vicente, morador da comunidade desde 1973, os populares foram iludidos por uma garantia de avanços que não chegaram. Paralelo a isso, ele garante que a proliferação e invasão de insetos, roedores e escorpiões nas residências tem aumentado devido a mínima mudança promovida no solo da área, e da precoce suspensão dos serviços. "Trata-se de uma área que há longos anos ninguém mexia nem na estrutura do canal, nem nos canteiros. Como começaram a construir, o que tinha de animal começou a correr para as nossas casas e apartamentos. Eu achei que iria parar com o fim da obra, mas agora, sem concluir, é que estamos literalmente entregues às baratas", disse.
Como se não bastasse os problemas entre a Prefeitura de Aracaju e a empreiteira, o risco de ações judiciais impetradas por meio de órgãos públicos de defesa do meio ambiente fez com que parte das árvores fosse numerada antes de serem demolidas. Segundo o projeto, para realizar todo o serviço era necessário remover mais de 40 árvores. Essa numeração foi realizada no mês de agosto do ano passado por meio da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb).
Na avaliação feita pelo taxista Laércio Gomes dos Santos, a promessa de promover uma nova licitação demonstra indícios de atividade política visando às eleições municipais a serem realizadas no próximo mês de outubro. "Da outra vez que vocês estiveram aqui pra mostrar esse descaso com nós moradores eu mesmo já imaginava que isso poderia acontecer. Essa obra passou mais de um ano parada e agora, faltando poucos dias para o início das eleições vem os assessores do prefeito João Alves dizer que vão contratar outra empresa. É querer brincar com a cara do povo", avaliou.
A princípio, a PMA estimava a presença de aproximadamente 70 operários; em novembro de 2015, quando nossa equipe de jornalismo esteve no local para apurar denúncias de moradores, foi possível observar que apenas três funcionários estavam nas intermediações da obra. "Não queremos nada mais do que melhorias para a nossa área. Se fosse pra parar depois de alguns dias de ter começado, era melhor nem ficar fazendo propaganda. Agora ficam as ruas quase que intransitáveis e as nossas casas cheias de baratas e mosquitos. Quero muito estar enganado, mas duvido que essa obra seja entregue até o último dia de João Alves no comando da prefeitura", lamentou Laércio Gomes.

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