Gabriel Damásio
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O fim-de-semana que antecedeu o São João em Sergipe foi considerado um dos mais violentos do ano. Das 26 mortes registradas pelo Instituto Médico-Legal (IML) entre a meia-noite de sábado e às 7h de ontem, 14 foram de pessoas assassinadas a tiros, duas mortas por arma branca e uma por ação contundente. Morreram ainda quatro vítimas de acidentes de trânsito e outras quatro por queda da própria altura. A Grande Aracaju ficou com a maioria das ocorrências: 16, sendo 13 na capital, duas na Barra dos Coqueiros e uma em São Cristóvão. Já as 10 mortes ocorridas no interior são divididas por Aquidabã, Itabaiana, Itabaianinha, Lagarto, Poço Redondo, Simão Dias, Tobias Barreto e Umbaúba.
Na capital, o caso de maior destaque foi a chacina ocorrida na Rua Capitão Joaquim Inácio, bairro 18 do Forte (zona norte), por volta das 18h30 de domingo, próximo ao Colégio Estadual Governador Valadares. Segundo as primeiras informações, dois homens em uma moto passaram armados em frente a uma casa e dispararam quase 10 tiros contra as vítimas, que estavam na porta da residência, acompanhando uma festa junina que acontecia na rua. Rayra Anick Santos Aragão, 24 anos, foi baleada na cabeça e chegou a ser socorrida, mas morreu após dar entrada no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). O esposo dela, Edinelson Silva Santos, o ‘Toco’, 29, faleceu no próprio local, após ser atingido por pelo menos três tiros, sendo um igualmente na cabeça.
A terceira vítima, um primo de Edinelson conhecido como ‘Fernandinho’, foi ferido com dois tiros na barriga, enquanto tentava impedir o ataque dos assassinos. Levado ao Huse por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o paciente chegou a ser operado, mas morreu durante a madrugada de ontem. O caso já começou a ser investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que ainda não definiu uma pista concreta sobre o motivo da chacina. No entanto, fontes policiais suspeitam que ela esteja ligada a uma suposta rixa entre grupos baseados em bairros da zona norte da capital.
Já no interior, um crime semelhante ganhou destaque em Umbaúba (Sul), onde duas pessoas foram assassinadas na madrugada deste domingo, durante outra festa junina que ocorria no povoado Palmeirinha, zona rural do município. Um homem sacou a arma e abriu fogo no meio das pessoas que dançavam na festa. Reginaldo Rodrigues dos Santos, 38, morreu no local do crime, enquanto a outra vítima, Maria Aparecida da Conceição, 36, chegou a ser levada ao Hospital Municipal de Umbaúba, mas não resistiu. O motivo do crime ainda não está claro, mas, de acordo com o delegado local Paulo Cristiano Ricarte, o autor já foi identificado: trata-se de um foragido da Justiça de Alagoas, que já foi condenado também em Sergipe, por crimes de assalto e porte ilegal de arma.
Suicídio ou assassinato? – O caso mais intrigante para a polícia é o da morte de Silvaneide Paiva Lima da Silva, 43, cujo corpo foi encontrado neste domingo, dentro do próprio carro, um Toyota Corolla de cor branca. O veículo estava estacionado nos fundos de uma estação de captação de água da Deso, no bairro Capucho (zona oeste de Aracaju). Segundo a polícia, a vítima estava sentada no banco do motorista e presa ao cinto de segurança, como se estivesse dirigindo, mas tinha os pulsos cortados e a garganta praticamente aberta, provavelmente a golpes de navalha.
Nenhuma testemunha foi encontrada no local. O DHPP também investiga o caso. A princípio, apura-se a hipótese de suicídio, mas não se descarta a possibilidade de assassinato, pois a polícia tem dúvidas sobre a suposta presença de uma segunda pessoa no carro.


