Edvaldo quer ampliar arco de alianças

O ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) se transformou na última segunda-feira, 27, candidato único do bloco ligado ao governador Jackson Barreto a prefeito de Aracaju. Ele disputava essa condição com o ex-secretário José Sobral (PMDB), já que o deputado federal Valadares Filho (PSB) havia se afastado do governo desde o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Em entrevista ao JORNAL DO DIA, Edvaldo disse que o objetivo a partir de agora é "trabalhar para unir o mais amplamente possível o conjunto de partidos que integraram a aliança em 2014, e que será a base do nosso projeto para 2018. Nesse sentido estamos conversando com todos os outros partidos da base aliada, buscando unificá-los neste projeto de 2016, em torno da minha pré-candidatura e a de Eliane Aquino".
Ele faz duras críticas ao prefeito João Alves Filho.

Jornal do Dia – Com a definição da aliança com o PT e o PMDB, quais serão os próximos passos da campanha a partir de agora?
Edvaldo Nogueira – Consolidar este núcleo, que engloba também o PCdoB, e buscar a sua ampliação com outros partidos da base que ainda não tenham decidido uma posição. Trabalhar para unir o mais amplamente possível o conjunto de partidos que integraram a aliança em 2014, e que será a base do nosso projeto para 2018. Nesse sentido estamos conversando com todos os outros partidos da base aliada, buscando unificá-los neste projeto de 2016, em torno da minha pré-candidatura e a de Eliane Aquino. Não estamos poupando esforços em trabalhar nesse sentido, mostrando as vantagens de manter nosso bloco unido. Minha preocupação também é que o processo de disputa das pré-candidaturas dentro da nossa base (PCdoB-PMDB) não deixe nenhuma sequela. Já vimos, desde o anúncio do apoio do PMDB à nossa pré-candidatura, que o episódio de disputa está superado. Senti isso principalmente nas palavras do ex-prefeito e presidente estadual do PMDB, João Augusto Gama, que conclamou todos à luta unitária e a marcharmos juntos para ganhar as eleições. O próprio Zezinho Sobral deu uma demonstração inequívoca de grandeza pessoal e maturidade política quando atendeu ao apelo do governador Jackson Barreto e retirou sua pré-candidatura, dando liberdade ao partido de tomar a decisão que desejasse. E no caso do PT, o próprio presidente estadual do partido, Rogério Carvalho, após uma conversa franca e sincera comigo e com o governador, afirmou nas redes sociais "acordo firmado, aliança fortalecida, Edvaldo Nogueira será nosso candidato a prefeito". Tudo isso mostra a força do nosso grupo, sua maturidade política, o compromisso com a unidade na aliança e acerto das escolhas feitas. Fico feliz. Agora é ampliar ainda mais esse time.

JD – Em diversas entrevistas, o senhor sempre manifestava o desejo de ter Eliane Aquino como candidata a vice, o que parece já confirmado. O que o senhor espera dela durante a campanha?
Edvaldo –  O companheirismo que sempre caracterizou a sua história de vida e a sua capacidade de trabalho. O nome de Eliane Aquino é companheirismo. Quem a conhece sabe disso. Foi assim ao lado de Déda, como esposa, mãe, amiga e mesmo assumindo funções públicas de primeira dama do município e do estado, ou de secretária. É assim no trato com os amigos, é assim na preocupação diária com as pessoas, com os que precisam da ação do poder público. É assim com crianças, idosos, adolescentes. Uma dedicação que não é de ocasião, mas que emana da própria alma dela. É só observar o trabalho que sempre desenvolveu junto a esses setores. Eliane é uma mulher de qualidades excepcionais, que encarna, além de tudo, a parceria adequada para reviver o projeto de cidade que Déda e eu edificamos na Prefeitura de Aracaju a partir de 2001, e ao qual dei continuidade a partir de 2006 até 2012. Uma projeto que legou a Aracaju conquistas inesquecíveis em serviços e obras para a população. Um projeto modernizador, inclusivo, solidário, que deixou saudade nos aracajuanos e que hoje é chamado de volta para cumprir mais uma etapa de desenvolvimento. Um projeto que foi capaz de tornar nossa cidade a capital brasileira da qualidade de vida. E não sou só eu que espera isso de Eliane. É a própria Aracaju que espera isso dela também.

JD – O senhor terá ao menos dois adversários duros durante a campanha – o prefeito João Alves Filho e o deputado federal Valadares Filho, que foi o seu candidato em 2012. Como será a sua campanha?
Edvaldo – Minha campanha será civilizada, sem agressões. Em 2012 estávamos todos ao lado de Valadares Filho, na luta para fazê-lo prefeito de Aracaju. Infelizmente não foi possível. Agora, depois de quatro anos de frustração e enganação, os aracajuanos tomaram consciência de que precisam ter de volta a qualidade de vida que era símbolo e orgulho de todos nós. Em nossa campanha vamos procurar mostrar os inúmeros benefícios que a cidade alcançou sob a minha gestão, as inúmeras obras, serviços e concepções que marcaram a vida dos aracajuanos, tais como o Viaduto do Dia, a Orla Pôr do Sol, as ciclovias, as Praças da Juventude, a excelência na limpeza pública, o Projeto Verão, a jornada pelo Direito de Aprender, a valorização ao servidor público, o amparo e proteção às famílias economicamente vulneráveis, o zelo com a coisa pública, a governança com ética e transparência, o respeito ao cidadão aracajuano em contraponto com o caos que João Alves instalou na cidade. Vou mostrar aos cidadãos aracajuanos que tenho bons serviços prestados a esta cidade e sei que a população reconhece isso. E por isso mesmo está nos convocando a essa volta.

JD – O senhor acha que a população ainda lembra de sua administração? Qual a diferença principal de suas gestões e a do prefeito João Alves?
Edvaldo – A principal diferença é que nossa gestão era planejada, pensada, voltada para equacionar os problemas da cidade, dar mais conforto e segurança aos moradores, e fazê-la avançar rumo à modernidade. Na gestão atual temos a sensação de que impera a improvisação e desrespeito ao cidadão. Há poucos meses a cidade mergulhou no lixo e na sujeira. Uma cidade que sempre teve orgulho da limpeza pública se viu, de uma hora pra outra, mergulhada na imundície. E essa situação perdura em vários bairros e pontos da cidade. O prefeito tentou fazer a cidade engolir um BRT de mentira, pintando algumas faixas nas ruas e trazendo de volta alguns ônibus articulados. É um deboche, e o Ministério Público já acusou o engodo. Ele meteu a mão no bolso dos contribuintes, aumentando absurdamente o IPTU, e mesmo assim o resultado é uma gestão sem obras, que está levando mais de três anos para fazer um pedaço de calçadão, na 13 de Julho, e até isso ao custo de um crime ambiental, enquanto dezenas de bairros vivem o abandono. Uma parte significativa das obras que inaugurou, na verdade, foram obras deixadas por mim, muitas delas praticamente prontas, nas quais ele apenas botou a placa com o nome dele. Outras ele simplesmente abandonou, como é o caso da maternidade do bairro 17 de Março, para a qual firmei contrato e deixei os recursos assegurados, mas que ele não realizou. Essa é a diferença. Fui um prefeito que tive compromisso com os aracajuanos e trabalhei para melhorar suas vidas. E é isso que farei, com a fé de Deus e a força do povo de Aracaju.

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