Mesmo insatisfeitos com reajuste, servidores da Saúde encerram greve

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Os servidores da saúde que estavam em greve desde o dia 01 de junho decidiram na manhã de ontem suspender as paralisações que alcançaram o pico de 70% em todas as unidades administradas pela Prefeitura de Aracaju. A decisão foi deflagrada em assembleia realizada por representantes das dez categorias que aderiram ao movimento. Longe de conquistar os 12% de reajuste, acumulados em perdas inflacionárias desde o ano de 2013, os profissionais acabaram aceitando os 4,42% contrapropostos pelo prefeito João Alves Filho que não se fez presente no anúncio oficial realizado no Centro Administrativo Aloísio Campos.

Insatisfeitos com a proposta apresentada pela gestão municipal por meio da secretária de governo, Marlene Calumbi, os trabalhadores optaram por acabar com a greve, mas garantiram que já no próximo dia 01 de agosto, primeira segunda-feira do mês, voltam a se reunir em assembleia geral para debater pleitos como: possíveis cortes de ponto pelos dias não trabalhados, e sobre os constantes atrasos no pagamento dos servidores. Desde o mês de janeiro deste ano a classe trabalhadora ligada à Secretaria Municipal de Saúde é a última a receber o benefício mensal. No primeiro mês do ano, por exemplo, o salário só foi pago no dia 21.

Na avaliação feita pela direção do Sindicato dos Trabalhadores da Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa) minutos após a apresentação da PMA, o argumento feito pela atual gestão vai contra os interesses dos médicos, enfermeiros, assistentes sociais, nutricionistas, psicólogos, agentes de combate a endemias e demais ocupações profissionais. Os sindicalistas alegam que: dizer que o reajuste salarial não foi superior por ‘se tratar de um ano eleitoral’ acaba ferindo a honra de todos os servidores. A lista de reivindicações foi apresentada em dezembro do ano passado a pedidos do próprio prefeito João Alves Filho.

"Para outras categorias o reajuste dado no semestre passado foi maior que os 4,42% concedidos agora. Em outras gestões mesmo no ano eleitoral os gestores deram mais do que o nível de inflação do ano anterior. Agora, a categoria decidiu pelo fim da greve e os sindicatos acataram. Dia 01 a gente volta a discutir os demais itens da lista de reivindicações", afirmou o diretor sindical Adailton dos Santos. Ainda de acordo com ele, os grevistas sem mostraram ‘indignados’ com a baixa proposta de reajuste, e pretendem permanecer lutando por melhorias no Sistema Único de Saúde (SUS), da capital sergipana.

O percentual de reajuste de 4,42% foi o resultado do cálculo do IPCA/IBGE de janeiro a junho deste ano, baseado no limite máximo do percentual que poderia ser concedido durante o período eleitoral, nos termos da art. 73, inciso VIII, da Lei Federal 9.504/97. O reajuste salarial só será retroativo a julho deste ano. A forma como o prefeito João Alves Filho debateu o assunto também foi foco de reclamação. Segundo Adailton, outras categorias que não são da Saúde tiveram aumento de 20%, 40% anteriormente, e ainda terão esta readequação de 4,42%.

"Repudiamos a forma como fomos tratados pela Prefeitura de Aracaju, principalmente o prefeito João Alves Filho, que esperou a Lei Eleitoral para dar este pequeno reajuste. Depois de tantos dias de greve, todas as categorias aceitaram encerrar a greve porque foram ameaçadas de terem o ponto cortado", concluiu. Na próxima segunda-feira, 18, os atendimentos serão normalizados a partir das 7h, já a assembleia de agosto está prevista para ocorrer no auditório do Sindicato dos Bancários de Sergipe, centro de Aracaju, a partir das 16h.

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