Garis e margaridas podem entrar em greve a partir de hoje

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Demissões em massa podem parar hoje as atividades de centenas de garis e margaridas que realizam o serviço de limpeza na capital sergipana. De acordo com denúncias do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe (Sindlimp), a empresa Cavo – contratada pela Prefeitura de Aracaju para realizar o serviço urbano, já demitiu cerca de 90 profissionais desde a primeira quinzena de junho. Para inflamar ainda mais a relação trabalhador/Cavo/PMA, a classe lamenta que benefícios rescisórios não estejam sendo repassados para os servidores dispensados. Sem gari trabalhando, Aracaju pode voltar a acumular toneladas de lixo nas ruas e avenidas.

Segundo dados repassados pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), por dia, cerca de 4,5 toneladas de lixo são recolhidos das casas, apartamentos e estabelecimentos comerciais. Para Anderson Vidal, vice-presidente do Sindelimp, é necessário que os órgãos de fiscalização do estado voltem a investigar os motivos que estariam gerando estas demissões. O sindicalista critica ainda a postura da atual administração municipal desde que assumiu o governo de Aracaju. Questionado quanto aos possíveis motivos que estariam gerando a dispensa em massa, Vidal preferiu ‘passar a bola’ para os administradores da Cavo e Emsurb. Ele não acredita em crise econômica no município, muito menos descompromisso funcional por parte dos garis e margaridas.

"Além de estarem mandando o pessoal embora, ainda não estão pagando os direitos de cada trabalhador. Dizer que é crise econômica não cola mais. É tentar enganar uma categoria inteira com esse tipo de falácia. Queremos explicações sobre o porquê dessa dispensa coletiva e o porquê de não estarem pagando os direitos dos servidores", disse.
Faltas – Em nota, a direção da Cavo alegou que as demissões estão ocorrendo apenas para os profissionais que estariam faltando em excesso e sem apresentar motivos coerentes como, por exemplo, atestados médicos. Esse seria o principal motivo das sucessivas demissões.

A empresa Cavo, que recentemente substituiu a Torre, afirmou ainda que outra parcela das dispensas é formada por funcionários sem bons resultados, ou seja, sem atender aos anseios diários da Cavo. Mesmo com a pressão atribuída pelo sindicato, a empresa informou que as demissões devem permanecer caso os dois aspectos apontados continuem gerando insatisfação a direção da empresa. Em contraponto, Anderson Vidal alega que as réplicas indicadas pela Cavo não procedem com a verdade por dois únicos motivos:
"Tenho certeza que a maioria dos 90 colegas demitidos são profissionais exemplares que lutavam diariamente pelo emprego; e outra, se o problema fosse esse, as 90 vagas seriam repostas. Até agora não temos novas contratações, as rescisões não respeitaram os direitos dos demitidos e o trabalho só faz acumular. Sendo assim a categoria aprovou a greve", pontuou. A Prefeitura de Aracaju não se manifestou sobre a indicação de greve por tempo indeterminado.

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