Milton Alves Júnior
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O Ministério Público Estadual (MPE) requer que representantes da Secretaria da Fazenda do Município de Aracaju e da direção do Hospital de Cirurgia se reúnam em caráter de urgência para reparar os problemas financeiros e reiniciem de imediato as sessões de quimioterapia. A recomendação foi oficializada na manhã de ontem durante audiência pública promovida na sede do MPE sob comando da Promotoria de Direito à Saúde. Segundo contabilidade apresentada pelo órgão de fiscalização, há dois meses, cerca de 600 pacientes submetidos a sessões de quimioterapia no HC estão sem dispor do tratamento.
Durante o diálogo ficou deliberado que uma nova reunião será realizada já no próximo mês de agosto para que dados sobre um possível reparo do problema seja apresentado. Mesmo diante da confirmação de irregularidades nos pagamentos e incompatibilidade administrativa entre o HC e a Prefeitura de Aracaju, a Secretaria Municipal de Saúde preferiu não se manifestar sobre o pedido de regularidade dos impasses que causam dor e sofrimento aos pacientes com câncer. Na avaliação feita pela paciente Laudelice Santos, falta respeito e compaixão junto aos mais necessitados.
"Nossa saúde está em jogo, mas para muitos gestores isso não quer dizer absolutamente nada. Sorte nossa que ainda temos o Ministério Público para tentar resolver nossos problemas", afirmou. Compartilhando com as declarações feitas por Laudelice, a também paciente Luiza Andrade, 38 anos, avalia os dois meses de suspensão do serviço como uma sentença de morte.
Preocupada com o retrocesso na luta contra a doença, ela espera que as recomendações da promotoria de saúde sejam atendidas. Apesar de se mostrar esperançosa, Luiza diz não acreditar em melhorias instantâneas. "Nossa vida aqui não tem valor nenhum, são dois meses que não recebemos o devido tratamento e isso pra mim realmente trata-se de uma sentença de morte. Sei que é duro, mas se continuar assim não tenho esperança de vida longa. Depender dessa saúde pública de Aracaju é o mesmo que esperar o dia derradeiro", declarou.
Na audiência ainda foi estudada a possibilidade de promover a transferência dos pacientes do Cirurgia para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A sugestão foi descartada devido à capacidade e número de remédios atualmente disponíveis. Conforme relatos, o Huse dispõe de estrutura apenas para os pacientes já em atendimento no respectivo setor de quimioterapia e radioterapia. "Infelizmente o Hospital de Urgência já está com a capacidade máxima atingida. Se não resolver esse problema do HC com a Prefeitura de Aracaju, o jeito será firmar convênio com clínicas particulares", avaliou a representante do grupo Mulheres do Peito, Sheila Galba.
A data e o horário da nova audiência pública não foram apresentados pela assessoria de comunicação do MPE.


