Neste domingo, 24, o Rede Sustentabilidade realiza a convenção do partido com definição oficial dos candidatos às eleições municipais. Para prefeito de Aracaju está posto o nome de Dr. Emerson, como é mais conhecido o médico, radialista e professor universitário, Emerson Ferreira da Costa. Vereador no segundo mandado, conquistados quando ainda militava no PT (Partido dos Trabalhadores), Dr. Emerson acredita nas mudanças que surgem em momentos de crise. "Precisamos e deveremos evoluir para uma democracia participativa, com o povo, progressivamente, assumindo a ação política", observa. É justamente nesse processo que Dr. Emerson espera influir, defendendo "o novo na política". "Tenho exercido a minha atividade política sem envolvimento com os vícios da velha política, como o financiamento ilegal de campanhas eleitorais e a indicação de pessoas para ocupar cargos comissionados. Com relação às idEias, precisamos de um choque de austeridade na gestão pública". Confira um pouco mais das propostas de Dr. Emerson na entrevista ao Jornal do Dia:
Jornal do Dia: Como o senhor vê a atual conjuntura da política nacional?
Dr. Emerson: Vivenciamos uma crise econômica, política, moral e institucional. Na política, a crise é da democracia representativa. O povo brasileiro não se sente representado na classe política. Mas toda crise propicia uma época de mudanças. Precisamos e deveremos evoluir para uma democracia participativa, com o povo, progressivamente, assumindo a ação política.
JD: Como a crise política na esfera nacional chega aqui na ponta, nos municípios brasileiros?
Dr. Emerson: A crise econômica é globalizada, e, consequentemente, afeta o nosso país. Mas esse período de crise econômica coincide com a instabilidade política, relacionada ao loteamento dos espaços públicos com os partidos políticos e ao financiamento ilegal das campanhas eleitorais. Cerca de 70% dos políticos que compõem o atual Congresso tiveram suas campanhas financiadas por grandes empresas, muitas delas envolvidas na operação Lava-Jato. Ou mudamos essa lógica ou não teremos saída.
JD: O senhor é pré-candidato à Prefeitura de Aracaju. Qual o diferencial do nome Dr. Emerson?
Dr. Emerson: Ações e ideias avalizadas por uma vida profissional e política conduzida por princípios éticos e morais. Isso constitui o novo na política. Tenho exercido a minha atividade política sem envolvimento com os vícios da velha política, como o financiamento ilegal de campanhas eleitorais e a indicação de pessoas para ocupar cargos comissionados. Com relação às ideias, precisamos de um choque de austeridade na gestão pública, tornando-a comprometida com o bem comum, com a economicidade, com a transparência, com o combate à corrupção, com a eficácia e eficiência, de modo que possibilitemos aos nossos munícipes uma Aracaju sustentável para seus descendentes. Encontrei nos estatutos do Rede Sustentabilidade, tanto em seus princípios e valores, quanto na sua organizaçã, a possibilidade de realização dessas ideias e ações. A direção da Rede não está centralizada em uma pessoa, em um dono, mas em um colegiado, onde cada cargo é exercido por dois filiados, sendo pelo menos um terço deles de um gênero. A renovação dos seus quadros também está garantida na norma estatutária, que impede mais de uma reeleição, seja para os cargos de direção partidária, seja para os de mandatos eletivos. Também merece destaque o fato de que nenhum filiado que exerça cargo eletivo, no Parlamento ou no Executivo, poderá ocupar cargo de direção partidária.
JD: Um novo olhar sobre o bem público, o sentido de coletividade podem ser aliados nesta conjuntura para melhor administrar a nossa capital?
Dr Emerson: Diria que não teremos solução para os nossos problemas urbanos e sociais sem uma mudança profunda na administração pública. Cidades inteligentes somente serão possíveis quando administradas mediante compromissos com toda sociedade e com uma prática administrativa transparente, eficiente e submetida ao efetivo controle social.
JD: Quais os compromissos prioritários que deve assumir o futuro gestor de Aracaju?
Dr. Emerson: Todos devem saber da realidade financeira da nossa capital: endividamento crescente e disponibilização de apenas 2% do orçamento público para investimentos. O próximo prefeito eleito administrará, em 2017, o orçamento aprovado pela atual gestão. Logo, quem abrir a caixa de promessa na campanha eleitoral apenas evidenciará a tentativa de enganar a população. Por outro lado, quem lotear os cargos públicos na formação de coligações para as eleições de outubro próximo vai continuar comprometendo mais da metade da folha de pagamento com os honorários dos cargos comissionados. Portanto, o primeiro grande compromisso com o povo de Aracaju e com a perspectiva de uma gestão eficiente é não lotear os espaços e cargos públicos durante a campanha eleitoral. Saúde, educação, segurança, mobilidade e acessibilidade, emprego e renda, assistência social, cultura, esporte, lazer e infra-estrutura urbana serão as áreas de atuação, e, em diálogo permanente com a sociedade, estabeleceremos as prioridades.
JD: Num balanço da atuação parlamentar do senhor em dois mandatos na Câmara de Vereadores de Aracaju, o que podemos destacar?
Dr. Emerson: Destacaria quatro áreas prioritárias de atuação: educação, saúde, segurança pública e proteção da criança e do adolescente. Várias leis da nossa autoria foram aprovadas, das quais destaco: combate à evasão escolar, punição com mais rigor à venda de bebida alcoólica para menores de dezoito anos, valorização do Conselho Tutelar e combate o trabalho infantil. Na saúde, destacamos a lei que proíbe a venda e distribuição de produtos contendo o bisfenol A, substância cancerígena presente em copos descartáveis e mamadeiras, a que estabelece normas para o manuseio de alimentos e a que proíbe o bronzeamento artificial. Quanto à segurança pública, a nossa capital já tem uma lei proibindo que pessoas usem capacetes quando não estiverem na condução de motocicletas. Importante que a população, a polícia e o Ministério Público conheçam e façam valer esta norma. Algumas leis que fortalecem a cidadania foram aprovadas e outras foram apresentadas e rejeitadas pelos vereadores ou vetadas pelo prefeito, a exemplo das leis que propõem maior transparência na gestão pública, a exigência do uso do brasão e das cores da bandeira de Aracaju nos bens móveis e imóveis da administração pública, de modo a impedir, que logo após a posse de um novo prefeito, esses bens sejam pintados com as cores do seu partido. Também tivemos leis que foram vetadas duas vezes pelo atual prefeito: a que estabelece o programa adolescente aprendiz e a que propõe a castração de animais abandonados. Esta, mesmo após acordo verbal com o prefeito de que a lei seria aprovada.


