Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br
Dois responsáveis pela gestão do Shopping Jardins, no bairro Jardins (zona sul de Aracaju), serão processados criminalmente pela queda do adorno metálico da torre do estabelecimento, em 3 de junho deste ano. O superintendente do Condomínio Shopping Jardins, Jayro Cesar Ramos de Lima, 58, e o engenheiro civil Saulo Melo Tavares, 34, gerente de segurança do shopping, foram indiciados pelos crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa (sem intenção de matar). Ontem, a Polícia Civil anunciou a conclusão do inquérito policial sobre o acidente, que provocou a morte da vendedora Cláudia Ticianny Freire dos Santos, 21 anos, e deixou ferido o estudante Ítalo Ramond Rodrigues Damascena, 25.
A conclusão da polícia se baseou principalmente nos laudos periciais realizados por técnicos do Instituto de Criminalística e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (Crea), também divulgados ontem. Eles constataram que a torre de ferro, instalada no local há cerca de 20 anos, foi corroída e oxidada pelos efeitos da maresia, sem passar por qualquer tipo de manutenção. A principal parte afetada foi a base que sustentava o objeto, a qual ficou totalmente danificada pela ferrugem.
"Nós vivemos em uma cidade com alta umidade relativa do ar e próxima à praia. Por isso, temos um nível de salinidade muito grande. Eu conversei com uma perita mineira e ela me disse que a manutenção de uma peça dessas demora muito mais em Minas Gerais do que a mesma peça aqui em Aracaju, na beira do mar. A própria proximidade do mar, as intempéries do tempo, o peso do material… tudo contribui para que ocorra essa oxidação em peças metálicas", disse o diretor da Criminalística, Nestor Joaquim, ao falar sobre a perícia realizada pelo órgão no local.
Duas peças – Apurou-se que a torre de entrada do Jardins tinha duas peças metálicas, sendo uma de 208 quilos e outra de 17 quilos. Ambas caíram de uma altura de 30,81 metros, a uma velocidade de 88 quilômetros por hora. Estima-se que o tempo da queda durou apenas dois segundos, tempo no qual chegou-se a ouvir o som do impacto do metal contra o totem de proteção da torre. Os objetos acertaram Ítalo e Cláudia que estavam sentados no canteiro junto à torre. A vendedora morreu atingida na cabeça e o estudante teve a perna esquerda parcialmente esmagada, mas se recuperou após tratamento médico.
Tanto o Crea quanto a Criminalística apontaram que não houve manutenção adequada na torre, que ficou com a sua estrutura totalmente comprometida. Apurou-se que a administração do shopping encomendou, em 2012, um laudo particular de vistoria junto que apontou indícios de corrosão e ferrugem na torre. O mesmo foi alertado em uma vistoria pelo próprio Crea na mesma época. "Esse laudo recomendava justamente a manutenção, porque a peça já apresentava fragilidade, com risco de colapso. O shopping chegou até a contratar uma empresa para executar o serviço de manutenção, mas foi verificado que esse serviço não foi feito. Fatalmente, havia pessoas naquele momento, mas a queda já estava prevista para acontecer", afirmou o presidente do Crea, Arício Resende.
Orçamento – A cúpula do Jardins chegou a encomendar um orçamento à empresa Inmetal, especializada em estruturas metálicas, que ofereceu um serviço de manutenção completa no totem, mas não foi correspondida. "A recomendação determinava que o totem todo fosse recuperado. A empresa que fez o orçamento exigiu que essa quantia fosse paga. A direção do shopping recebeu aquele contrato e inclusive assinou o contrato, mas não o levou adiante, não cumpriu. Pode ser que ela tenha achado o valor muito caro. É óbvio que eles [Jayro e Saulo] foram negligentes na parte estrutural. Eles deveriam ter feito o reparo, mas acreditaram que a estrutura metálica não ofereceria risco, apesar de estar enferrujada", declara o delegado Everton Santos, da 1ª Delegacia Metropolitana (1ª DM), sobre a decisão de indiciar o superintendente e o gerente de segurança do shopping.


