Sem previsão de recebimento de salários, servidores da Saúde podem fazer nova greve

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Último dia do mês chegou, e com ele a incerteza de quando os servidores que atuam no sistema de saúde da Prefeitura de Aracaju devem receber os respectivos salários. O problema que se arrasta há mais de sete meses tem gerado contratempos para a classe trabalhadora e para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que, diante das sucessivas greves e paralisações, ficam parcialmente sem atendimentos nos mais de 80 postos de saúde espalhados pela capital sergipana. O último movimento grevista articulado por estes profissionais foi registrado no mês de junho e início desse mês; durou 45 dias e agregou dez categorias.
Em janeiro deste ano – quando os servidores receberam o salário de dezembro do ano passado apenas no dia 21/01/2016, a administração municipal informou que as finanças enfrentavam problemas, mas que o pagamento dentro do mês vigente seria respeitado a partir do mês de abril. A promessa, mais uma vez, não foi cumprida. Nesse embate envolvendo o prefeito João Alves Filho e mais de 1.500 servidores, a população aracajuana já sofreu, somente neste ano de 2016, cinco suspensões do serviço essencial. Durante estas crises administrativas, mais de cinco mil procedimentos deixaram de ser realizados diariamente.
Agora, mais uma vez sem a devida noção de quando os salários serão depositados, médicos, agentes de combate a endemias, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas, entre outras profissões, não descartam a possibilidade de deliberar nova suspensão parcial, ou por tempo indeterminado, de 70% dos serviços. Este assunto volta a ser debatido a partir de amanhã em assembleias coletivas que serão realizadas sob o comando dos sindicatos. Na manhã da última sexta-feira a prefeitura anunciou o cumprimento da folha de pagamento para servidores lotados na Controladoria Geral do Município, secretarias de comunicação, governo, defesa social e cidadania, articulação política, família e assistência social, além da Guarda Municipal.
Paralelo ao constante atraso salarial, os trabalhadores voltam a protestar via redes sociais quanto ao reajuste concedido no último dia 14. Longe de conquistar os pleiteados 12% de reajuste – acumulados em perdas inflacionárias desde o ano de 2013 -, os servidores acabaram aceitando 4,42% contrapropostos pelo prefeito. Se comparado com o índice inflacionário registrado no ano passado a perda foi de 6,25%. Esquecendo os prejuízos, ao menos por enquanto, os profissionais da saúde cobram de João um anúncio sobre a data de pagamento da categoria. Até a manhã de ontem essa resposta não foi dada pelo governo municipal.
Funcionário público há 16 anos, o enfermeiro Helton Fontes tenta entender os possíveis motivos que resultam em tamanha desordem pública na saúde da capital. Ele não poupa críticas ao atual prefeito e secretários. "Eu gostaria de saber o porquê de os gestores da prefeitura terem tanta raiva dos servidores da saúde. É, só pode ser raiva porque fomos os últimos a receber reajuste e continuamos sendo os últimos a receber nossos salários. Até quando isso vai continuar? Estamos cansados dessa lástima de gestão junto ao SUS de Aracaju. Profissionais e pacientes sofrem com o descaso", declarou.
Conforme já anunciado pela comissão de defesa dos funcionários da saúde de Aracaju, a assembleia geral será realizada na tarde desta segunda-feira, a partir das 14 horas na sede do Sindicato dos Bancários do Estado de Sergipe, centro da cidade. A perspectiva é de registrar a presença de representantes de todas as categorias e deliberar a realização de atos públicos. "Vamos continuar juntos para poder conquistar nossos direitos. Sabemos que estamos em um ano eleitoral e as falsas promessas voltam a predominar no cenário municipal. Não vamos cair mais uma vez nessa armadilha para depois não sofrer por mais quatro anos", disse a nutricionista Ângela Valença.

Estado – Também com atraso, a folha de pagamento dos servidores das secretarias, fundações e autarquias estaduais será quitada no próximo dia 11. Até a manhã de ontem as secretarias de estado da Fazenda, do Planejamento e Gestão não confirmaram se os servidores que recebem mais de quatro mil reais terão os respectivos salários parcelados, assim como ocorreu neste mês de julho.

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