Uma submetralhadora e mais de 175 quilos de maconha foram apreendidos em operações conjuntas de policiais do Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp) e do Departamento de Narcóticos (Denarc). As ações, nas quais três pessoas presas em flagrante, aconteceram neste final de semana em dois locais diferentes. No sábado, a arma foi encontrada no bairro São Conrado (zona sul de Aracaju), em uma casa apontada como ponto de venda de drogas. Já a carga de maconha foi apreendida no domingo, em um posto policial próximo à BR-101, em Cristinápolis (Sul). Os detalhes das operações foram detalhados ontem na sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP), no São José (zona central).
Segundo o diretor do Denarc, delegado Osvaldo Resende Neto, a apreensão em Cristinápolis resultou de uma ação preventiva da unidade, que montaram bloqueios nas pistas de acesso a Sergipe, com o objetivo de impedir a entrada de armas e drogas. Os agentes fizeram várias abordagens em ônibus e micro-ônibus interestaduais clandestinos. Em um dos veículos, procedente de São Paulo (SP), os mais de 150 tabletes de maconha eram transportados nas bagagens de dois passageiros: Clayton Lourenço de Araújo, 21 anos, e Talita Hellen Batista Rodrigues, 20. Ambos foram autuados em flagrante por tráfico interestadual de drogas.
Osvaldo relatou que os policiais começaram a desconfiar do comportamento dos acusados durante a abordagem. "Em uma das abordagens feitas aos veículos interestaduais clandestinos, identificamos que a jovem Talita Hellen apresentava sinais de nervosismo. Ao revistar a sua mala, foi encontrada grande quantidade de maconha escondida. Na mesma abordagem, também percebemos que o Clayton Lourenço também aparentava estar bastante nervoso. A partir daí, as equipes efetuaram a revista nas duas malas pertencentes ao jovem, sendo localizado o entorpecente", disse.
A polícia apurou que a maconha foi enviada da capital paulista para Aracaju e está avaliada em cerca de R$ 300 mil. Alguns tabletes eram embalados com fitas crepes vermelhas e um rótulo que classificava a maconha como ‘100% original’. Os acusados admitiram que receberam cerca de R$ 2 mil em dinheiro para fazer o transporte da carga, mas não quiseram dar outros detalhes sobre quem os contratou. "Na verdade, eles são o que nós chamamos de ‘mula’, pessoa recrutadas pelos grandes traficantes para transportar drogas entre um estado e outro. A droga estava armazenada de forma diferenciada. A princípio, os jovens alegam que não se conheciam e que trata-se de dois casos distintos, mas vamos apurar se há algum vínculo entre eles e o destino da droga", afirmou Osvaldo.
A arma – A apreensão da metralhadora, por sua vez, surgiu de denúncias anônimas ao Denarc e ao BPRp sobre uma casa da Rua A, no São Conrado, onde estariam sendo vendidas armas e drogas. Após a confirmação da denúncia, os policiais fizeram uma revista no local indicado e encontraram a arma, com três carregadores e 27 munições do mesmo calibre. A submetralhadora é uma Beretta MT-12 calibre 9 milímetros, de uso restrito, cujo modelo já foi usado pela Polícia Civil e é considerado de alto poder de fogo.
Segundo o subcomandante do BPRp, major Lucas Rebelo, acredita-se que ela tenha sido adquirida clandestinamente, mas as informações sobre a origem dela ainda não estão claras. "Não se sabe ainda a origem, mas é um armamento caro, que vale em torno de R$ 35 mil no câmbio negro. Está aberta ainda uma investigação, com o delegado Osvaldo [no Denarc], pra identificar procedência do armamento", disse o major.
Houve ainda a apreensão de uma balança de precisão e de 2.500 pinos usados para acondicionar cocaína, além da suspeita de que a droga teria sido descartada antes da chegada da polícia. Uma mulher que estava na casa, identificada como Mayara Ribeiro Costa, 25, foi presa em flagrante e, de acordo com a polícia, admitiu que fora contratada por um traficante para vigiar o local, possivelmente alugado pela mesma pessoa.


