Nos últimos tempos, após ter votado na Câmara Federal contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o deputado federal Fábio Mitidieri (PSD) ganhou notoriedade por ser considerado um ‘homem de palavra’. Está se cacifando para disputar uma vaga no Senado e isso já chama a atenção dos aliados e adversários do jovem político. "Não escondo de ninguém que pretendo disputar o Senado em 2018", confirma. "Mas eu não estou antecipando nada!".
Nessa entrevista ao JORNAL DO DIA ele afirma que as pessoas têm reconhecido sua postura como homem público. "É um primeiro passo. Preciso aprender mais, estudar mais e tornar o meu mandato de deputado federal melhor e mais eficiente. Feito isso, vamos dialogar exaustivamente sobre o futuro no momento certo".
Sobre as eleições municipais em Aracaju, após ter deixado de apoiar a candidatura de Valadares Filho, ele afirma que o nome de Edvaldo Nogueira, que tem o apoio do governador Jackson Barreto, é o melhor para a capital no momento. Sobre João Alves, que disputará a reeleição, ele descarta qualquer chance de êxito nas urnas. "João Alves tem dois problemas sérios: prometeu demais e cumpriu de menos! Essa talvez seja a sua maior dificuldade. Outra coisa é que ele escolhe muito mal sua equipe de auxiliares", avalia Mitidieri.
Leia a entrevista na íntegra:
JORNAL DO DIA: Iniciando a entrevista, essa semana o senhor se destacou no Congresso Nacional com uma emenda ao Projeto de Lei 257/2016, que renegocia a dívida dos Estados com a União e com o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Qual a sua proposta?
FÁBIO MITIDIERI: O texto original do PL 257/2016 beneficiava apenas os Estados com débitos superiores a 100% da receita corrente líquida. Na prática, apenas sete Estados estavam se beneficiando deste PL. É como se a União estivesse beneficiando apenas os maus gestores de contas públicas. Devido a isso, apresentei a emenda de número 300 que fazia uma compensação pelas perdas do FPE nos anos de 2015 e 2016 em comparação a 2014, atualizados pelo IPCA, dos Estados que possuem endividamento inferior a uma vez a receita corrente líquida. Se aprovada, 20 Estados e o Distrito Federal seriam beneficiados em R$ 18 bilhões. Sergipe, que vem fazendo seu dever de casa e enxugando a máquina, possui endividamento baixo e portanto seria beneficiado em R$ 1,2 bilhões.
JD: E por que o senhor recuou? É verdade que o senhor colocou o líder do governo na Câmara, deputado André Moura, em uma situação difícil?
FM: O governo federal propôs a apresentação de uma PEC dos Estados para poder atender ao pleito, principalmente do Nordeste, Norte e Centro Oeste, agora no mês de setembro. Em virtude disto, demos um voto de confiança ao governo interino e retiramos o nosso destaque que havia adquirido ampla simpatia dos deputados destas regiões. Quanto ao deputado André Moura eu apenas relembrei a ele que, antes de ser líder do governo, ele é nordestino, sergipano e tem compromisso com seu povo. Se o governo Temer não cumprir o acordado, não será comigo que ele falhará, mas com o povo do Nordeste e, sobretudo, com o povo de Sergipe. Nós vamos cobrar e aguardar.
JD: Esse seu embate direto com André Moura já poderia ser uma prévia de 2018, com dois possíveis candidatos ao Senado Federal?
FM: Eu tenho respeito pelo deputado federal André Moura. Ele já foi prefeito, deputado estadual e hoje é deputado federal. Tenho que reconhecer sua habilidade, sua articulação e sua capacidade. Até porque se não fosse competente não chegaria a tão longe, mas eu não estou antecipando nada! Estou apenas cobrando e exercendo a minha função enquanto parlamentar. Não escondo de ninguém que pretendo disputar o Senado em 2018, mas isso não será uma imposição minha, mas terá que nascer dentro de um consenso dos partidos aliados liderados pelo governador Jackson Barreto. Sobre André Moura eu não posso falar sobre o futuro político dele.
JD: Mas dentro do seu agrupamento o sentimento é favorável por uma candidatura sua ao Senado?
FM: Eu acho que nunca vivi uma fase tão tranquila, politicamente falando, como a atual. Mantive minhas convicções e minha palavra e votei contra o impeachment de Dilma Rousseff. Na eleição municipal, tinha um projeto para Aracaju, algo alternativo, mas que perdeu meu apoio a partir do momento em que decidiu fazer oposição ao governo que eu defendo e represento. O Senado é sim um projeto. As pessoas têm reconhecido nossa postura, como homem público. É um primeiro passo. Preciso aprender mais, estudar mais e tornar o meu mandato de deputado federal melhor e mais eficiente. Feito isso, vamos dialogar exaustivamente sobre o futuro no momento certo.
JD: O senhor acredita na aposentadoria do governador Jackson Barreto?
FM: Acho que esta é uma decisão de ordem muito pessoal do governador. Não me cabe dizer se ele deve ou não se aposentar. Como amigo, como aliado, se for consultado, defenderei sempre que ele fique na vida pública e continue lutando para defender os interesses de Sergipe. Jackson Barreto tem muitos serviços prestados por este povo e, caso decida pendurar as chuteiras, nos fará muita falta. Mesmo porque quem o conhece e quem aprendeu a gostar do ser humano, sabe que ele fica bem sempre na linha de frente, combatendo, lutando, Na decisão que ele tomar, a Família Mitidieri estará com o governador.
JD: Como o senhor avalia os problemas administrativos enfrentados pelo prefeito João Alves e pelo governador Jackson Barreto?
FM: João Alves tem dois problemas sérios: prometeu demais e cumpriu de menos! Essa talvez seja a sua maior dificuldade. Outra coisa é que ele escolhe muito mal sua equipe de auxiliares. Eu não vou generalizar para não ser injusto, mas sinto que falta sensibilidade, para negociar com os sindicatos. Muitas vezes até os acordos são firmados, mas quando se chega na mesa do prefeito, ele parece não cumprir. Mas fazendo justiça com João Alves e o próprio JB, estamos vivendo um momento difícil para maioria dos gestores brasileiros. O País atravessa uma das maiores crises de sua história. É crise política e econômica ao mesmo tempo. Em decorrência disso, os Estados e Municípios estão sendo penalizados. Não quero esconder aqui os inúmeros problemas do governo de Jackson. Mas diferente de João, o governador ainda tem uma "gordura" para queimar até 2018 e nós vamos tentar ajuda-lo da melhor forma possível.
JD: E quanto a decisão de recuar sobre a pré-candidatura e passar a apoiar Edvaldo Nogueira em Aracaju? O senhor se arrependeu?
FM: Jamais! Eu convidei Edvaldo e Eliane para se filiarem ao PSD por várias vezes e publicamente. Quando eles decidiram permanecer nos seus partidos, algo que eu respeito muito, buscamos apostar num projeto novo para Aracaju.
Fui um dos primeiros a sonhar junto com Valadares Filho por um projeto moderno para nossa capital. Algo que realmente fosse interessante para o cidadão. Mas eu sempre coloquei meus limites e caminhar com a oposição ultrapassava isso. Eu tenho lado, procuro ser coerente e transparente nas minhas ações. Respeito sua decisão e continuamos amigos mas meu lugar aqui. Eu não mudei, continuo onde sempre estive. Ele que optou por mudar de lado.
Quanto a ser candidato, agradeço os convites, mas ponderei que não havia mais tempo hábil para apresentar uma proposta viável para a sociedade. O caminho natural e racional era apoiar Edvaldo e unir nosso agrupamento. Estou feliz com minha decisão e estou confiante na nossa vitória.
JD: Então o senhor acha que Valadares Filho com o Grupo Amorim não vai ser mais uma boa alternativa para a capital?
FM: Valadares Filho perdeu a oportunidade de representar um projeto novo para Aracaju. Ao se aliar à oposição, ele optou por ser mais do mesmo. Um projeto velho num rosto novo. Por que quando eu falo insistentemente em renovar, não é renovar a idade, mas a mentalidade, a forma de fazer política. E eu não reconheço nada de inovador no grupo ao qual ele se aliou.
Veja, eu mesmo já fui eleitor do senador Amorim em 2010 e não tenho inimizade por ninguém, pelo contrário, sei separar as coisas, mas passados seis anos, nossos grupos e nossa forma de fazer política são divergentes.
Valadares Filho tomou sua decisão e só o tempo dirá se ele está certo ou errado. Mas a minha consciência está tranquila. Eu continuo ao lado dos meus amigos e do grupo que eu fui às ruas pedir votos e ajudar a eleger. Se o momento está difícil, é aí que precisamos nos unir ainda mais. Jackson Barreto pode contar comigo para ajudá-lo a superar este momento. Eu não abandono meus amigos!
JD: E em sua avaliação, o melhor nome do agrupamento para disputar o governo do Estado em 2018 é o vice-governador Belivaldo Chagas ou tem outro nome?
FM: Belivaldo é um sujeito que admiro pela coragem e coerência. O próprio Marcelo Déda cansava de exaltar sua fidelidade, seu compromisso com o agrupamento. Um vice-governador dos sonhos para qualquer projeto. Acho que ele construiu uma história muito bonita na Assembleia Legislativa e tem contribuído muito com o governador Jackson Barreto. Tem se mostrado um fiel escudeiro, um homem de personalidade e que tem seus ideais, tem opinião própria. Acho que é cedo para tratarmos de 2018, mas tenha certeza que Belivaldo é sim um bom nome e que nós temos, além dele, excelentes quadros, que possam nos garantir mais uma vitória expressiva nas urnas. Enquanto o outro lado insistir no atraso, o povo de Sergipe seguirá avançando.

