Viaturas da PM deixam de rodar por falta de pagamento à locadora

Milton Alves Júnior

Se a situação atual já está difícil, a perspectiva é de retrocesso ainda maior nas ações operacionais da Polícia Militar de Sergipe. Sem quitar dívidas com duas empresas locadoras de carros utilizados como viaturas, este mês 40 carros já foram devolvidos e o Comando Geral não descarta a possibilidade de devolver outros automóveis já nos próximos dias.
Conforme previsto no contrato em vigência, todos os carros alugados ao atingir a casa dos 100 mil quilômetros rodados devem ser substituídos. Enquanto essa quilometragem não é atingida, todos os veículos devem ser revisados com frequência e, caso necessário, serem substituídos antes dos 100 mil km rodados. Com o atraso de três meses, as duas empresas responsáveis não estão respeitando as exigências do contrato e começam a recolher as viaturas. De acordo com o coronel Paulo Paiva, relações públicas da corporação, a PM/SE está utilizando da criatividade para garantir os compromissos operacionais em todos os municípios sergipanos.
"De fato estamos passando por um momento difícil, no qual as empresas aguardam receber parcelas em atraso e por isso deixaram de realizar as manutenções e troca de carros. De 200 contratados, 40 já foram devolvidos. Posso garantir que todos os esforços estão sendo adotados para evitar problemas mais agravantes para a população", declarou. Para piorar a situação, a Associação dos Policiais Militares de Sergipe (Assomise) denuncia fragilidade do sistema público e vulnerabilidade da população que fica na mira da bandidagem. O caso tem sido comunicado aos poderes públicos de fiscalização, a exemplo dos Ministérios Público Estadual e Federal.
Sobre a possível redução das rondas, Paiva informou que a retirada dos veículos realmente está contribuindo para o problema, mas destacou que alternativas paralelas estão sendo adotadas de imediato a fim de garantir de forma integral a segurança da população. "O problema existe, mas estamos buscando alternativas para que possamos quitar as pendências. O Comando Geral está trabalhando dia e noite com o propósito de atender as cobranças das empresas e reparar a situação. Estamos adotando todos os esforços necessários para garantir a segurança de todos", afirmou Paiva.
Para o sargento Vieira, é imprescindível que o Tribunal de Justiça e o MPE atendam aos pleitos protocoladospelos militares. Durante o dia de ontem Vieira reforçou as queixas que vem apresentando desde o início do ano. "Quando a gente vai aos meios de comunicação denunciar falta de respeito com os policiais e falta de boas condições de trabalho, alguns gestores tentam induzir a população a achar que estamos com politicagem. Aí está o resultado. Menos carros de policia nas ruas por falta de competência na gestão. Policiais desvalorizados, empresas sofrendo para receber, e a população refém da criminalidade. Esperamos que a situação realmente seja melhorada como diz o governo", disse.

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