Milton Alves Júnior
A direção do Hospital de Cirurgia oficializou na manhã de ontem que todas as cirurgias cardíacas, neurológicas, e internações na unidade estão suspensas por tempo indeterminado para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida foi deliberada pelo hospital devido à existência de uma dívida milionária entre a Prefeitura de Aracaju e o Cirurgia. De acordo com eles, a Secretaria Municipal de Saúde deve R$ 8,5 milhões. A paralisação destes serviços prejudica mais de 800 pacientes que dependem das assistências médicas.
Diante do problema vivenciado há mais de dois anos pelo HC, justamente em decorrência desta falta de repasse de verbas, a direção da unidade não descarta a possibilidade de, ainda esta semana, aprovar a paralisação dos demais serviços oferecidos aos pacientes do SUS. Na tentativa de minimizar os problemas e reparar os desfalques econômicos, ao longo dos últimos dois meses representantes da unidade buscaram a gerência da SMS e Secretaria Municipal de Finanças, mas até a noite da última segunda-feira, 22, nenhum repasse aguardado foi contabilizado nos cofres do centro de atendimento hospitalar.
Insatisfeito, o diretor do Hospital de Cirurgia, Gilberto dos Santos, pediu que os órgãos federais e estaduais busquem soluções de urgência a favor das famílias que desde ontem ficam sem os amparos médicos. Questionado sobre a possibilidade de a população se voltar contra esta paralisação aprovada pelo hospital, Gilberto informou que toda a sociedade local tem conhecimento das dificuldades encontradas pelo HC em função do não compromisso financeiro promovido por terceiros.
"Há vários meses estamos enfrentando dificuldade na hora de cumprir nossas obrigações financeiras, mas vínhamos dentro do possível atendendo a todos, agora estamos em um momento insustentável. Absolutamente não estamos mais com condições de ficar sem receber da prefeitura e continuar nos contorcendo para não deixar o sistema parar", declarou. Sobre a promessa de ampliação na interdição de outros setores, o diretor garantiu que esta ameaça tende a se concretizar de forma gradativa a partir dos próximos dias.
"Realmente a situação que estamos vivenciando não é nada fácil, por isso outras suspensões podem acontecer em curto prazo. Pedimos que a Prefeitura de Aracaju realize os pagamentos dos débitos para que possamos regularizar as atividades e melhorar todos os serviços que são prestados aos aracajuanos através do SUS", pontuou Gilberto dos Santos. Até o fechamento desta matéria o Jornal do Dia não obteverespostada Secretaria Municipal de Saúde.
Reinício – Depois de dez horas seguidas com o sistema parado na última sexta-feira, 18, o Hospital São José, que também promoveu suspensão das atividades por falta de pagamento da Prefeitura de Aracaju, confirmou na manhã de ontem que todos os serviços realizados estão à disposição dos usuários do Sistema Único de Saúde. A direção da unidade informou que a gestão municipal deve em média R$ 2,7 milhões; ontem os gestores alegaram que parte desta dívida foi quitada, e que aguarda o repasse da quantia restante. Não foi revelado o valor repassado na primeira prestação de contas.


