Gabriel Damásio
Os presídios sergipanos voltaram ao seu estado de tensão máxima neste final de semana. As visitas íntimas aos presos foram praticamente suspensas neste sábado, devido ao movimento de reivindicação deflagrado pelos agentes penitenciários. Em represália, houve uma série de incidentes nas principais unidades do Estado. Pela manhã, no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão (Grande Aracaju), homens detidos nos pavilhões 1 e 2 promoveram um início de rebelião e, segundo informações, chegaram a retirar as portas de algumas celas.
Enquanto isso, familiares dos presos interditaram a BR-101, colocando fogo em pneus e provocando congestionamento. Antes, ao receberem a notícia de que as visitas seriam suspensas, as mulheres tentaram derrubar os portões de acesso e, em meio a uma grande gritaria, começaram a depredar a área de espera junto a entrada do presídio, atirando pedras contra as janelas, derrubando bebedouros e tentando colocar fogo em alguns objetos. Fora dos pavilhões, alguns agentes chegaram a disparar tiros de advertência para conter os ânimos dos rebeldes.
A Polícia Militar foi acionada para reforçar a segurança no complexo e enviou equipes do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), cujos soldados permaneceram de prontidão no lado de fora, controlando o tumulto provocado pelas mulheres e aguardando uma iminente ordem para invadir o presídio.O clima permaneceu tenso ao longo do dia, mas foi controlado no final da manhã, com a liberação da rodovia. Além dos diretores do Copemcan, uma comissão de dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE) tentou negociar uma solução entre os agentes penitenciários e os familiares dos presos.
O Sindicato dos Agentes Penitenciários de Sergipe (Sindipen) anunciou, ao longo da semana, que não permitiria a entrada dos familiares dos detentos neste final de semana, pelo fato de a maioria dos presídios não ter uma área específica para tais visitas, conforme o previsto no Código Processual Penal. Ontem, o presidente da entidade, Luciano Nery reafirmou que as visitas no Copemcan não seriam feitas. "Para que pudéssemos liberar as visitas, as celas teriam que ter oito presos, mas no momento elas têm 25 e se as companheiras de cada um entrarem, cada cela teria que ter 50 pessoas, o que cria uma situação desumana, degradante", destacou.
Nery ainda responsabilizou a Sejucpor não ter providenciado a tempo um espaço para a realização das visitas. "Isso aconteceu porque o governo do estado não faz os investimentos necessários na melhoria dos presídios e não adequou a unidade para que ela tivesse esse espaço. É por isso que a nossa categoria tomou a posição de não ‘dar mais nenhum jeitinho’, como já vinha infelizmente acontecendo há vários anos. Não é a categoria que quer criar o caos, mas sim o desso do governo", disse o sindicalista, que também criticou o secretário Antônio Hora Filho por ter dado entrevistas ao longo da semana, garantindo que as visitas íntimas ocorreriam.
Glória – Ainda na madrugada de sábado, por volta das 3h, 27 detentos tentaram fugir do Presídio Regional Senador Leite Neto (Preslen) em Nossa Senhora da Glória (Sertão). Segundo informações confirmadas pela Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc), os presos preparavam-se para escapar por um muro, onde uma corda feita com panos e lençóis, conhecida como ‘tereza’, foi colocada próximo à Guarita 5. Três celas chegaram a ter suas grades serradas, mas não chegaram a ser totalmente abertas.
A tentativa de fuga foi percebida pelos agentes do Preslen e do Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope), que subiram nas guaritas após desconfiarem do intenso latido dos cães de guarda. Após a apreensão da ‘tereza’, foi feita a contagem dos detentos, o que descartou a fuga. Hoje, existem 434 homens detidos em Glória. Na sexta-feira, o presídio teve a sua interdição parcial decretada pelo juiz Hélio Figueiredo Mesquita, da Vara de Execuções Penais, que proibiu o ingresso de novos presos. Seis homens foram apontados como mentores da tentativa de escape. A diretoria do presídio esclareceu que as visitas no presídio foram mantidas normalmente.


