Gabriel Damásio
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A Polícia Civil anunciou ontem a prisão da cabeleireira Alice Silva Teixeira, 38 anos, acusada de aplicar golpes usando sites de compras e vendas pela internet. Ela foi detida em flagrante na manhã desta segunda-feira, dentro de uma agência da Caixa Econômica Federal no Calçadão da João Pessoa, centro de Aracaju. O caso foi investigado nos últimos dois meses por policiais do Departamento de Defraudações e Crimes Cibernéticos (DDCC). Segundo a polícia, o esquema envolvia principalmente anúncios virtuais de apartamentos para aluguel imediato e fez vítimas nos estados de Sergipe, Amazonas e Distrito Federal.
Alice foi autuada em flagrante por estelionato, mas vai responder ao processo em liberdade. Em audiência de custódia realizada na tarde de ontem, no Fórum Gumercindo Bessa, a juíza plantonista Eliane Cardoso Costa Magalhães validou a prisão em flagrante e apontou provas do crime e da autoria, mas considerou que a cabeleireira não oferece perigo eminente e cometeu crime de menor potencial ofensivo. A acusada foi proibida de sair de Aracaju sem autorização e está obrigada a comparecer em juízo todo mês para prestar contas de suas atividades. Em caso de descumprimento, ela terá a sua prisão preventiva decretada.
Segundo a delegada Rosana Freitas, do DDCC, os anúncios eram feitos principalmente no site OLX, um dos mais populares do ramo, e continham condições bastante atraentes para imóveis que, na verdade, eram de fotos recolhidas aleatoriamente na internet. "Ela pegava fotos de imóveis na internet e fazia anúncios ofertando-os em bairros diferentes da cidade. Esses anúncios, como atingem um público nacional, acabavam sendo vistos por pessoas de todo o país. As vítimas entravam em contato com ela e era exigido um pagamento de quantias entre R$ 500 e R$ 2 mil, para que o negócio fosse garantido", disse a delegada.
Um dos anúncios foi publicado pela OLX no último dia 19 de setembro e oferecia um apartamento de alto padrão em um condomínio fechado da zona sul de Aracaju. "Apartamento com três quartos, todo reformado e mobiliado. Com móveis planejados e eletrodomésticos. O valor [R$ 1 mil] já inclui condomínio e gás. Estou alugando por motivo de mudança de estado", dizia o anúncio. Vários outros anúncios semelhantes foram descobertos pelos investigadores, o que aponta para a possibilidade de um número maior de vítimas, que descobriam a farsa ao tentar receber as chaves do suposto apartamento.
‘Laranjas’ – Os pagamentos que Alice exigia como entrada eram negociados diretamente, por telefone, e depositados em contas bancárias que estavam no nome de outras pessoas, conhecidas como ‘laranjas’. Em uma delas, foram identificados seis depósitos feitos por vítimas, totalizando um prejuízo de R$ 6 mil. De acordo com Rosana, alguns dos titulares das contas eram induzidos pela cabeleireira a ceder suas contas para movimentar o dinheiro. "Essas pessoas recebiam o dinheiro e repassavam para ela, mas não tinham ciência que participavam de uma fraude. Ela os ludibriou também, informando que precisava receber umas dívidas e que a conta bancária dela estava bloqueada", explicou.
A polícia foi avisada do golpe por um dos titulares que teria autorizado Alice a usar sua conta bancária para fazer os depósitos. Ele decidiu denunciar a cabeleireira depois que um cliente de Manaus (AM) lhe procurou para exigir explicações sobre o apartamento que não fora entregue, após uma transação. Após a confirmação do golpe, os agentes do DDCC encontraram e prenderam a acusada na Agência Serigy, da Caixa, onde tinha acabado de fazer um saque de R$ 1.100, cuja quantia foi depositada por uma vítima residente em Brasília (DF). Alice não tinha antecedentes criminais, mas o envolvimento dela com outros golpes do tipo também será investigado pelo DDCC, que vai pedir informações às polícias civis dos estados onde moram as vítimas do esquema. "Já conseguimos manter contato com a vítima de Manaus e com uma das vítimas daqui, que compareceu à delegacia e prestou depoimento. Daremos seguimento às investigações para identificarmos as outras vítimas e buscar o ressarcimento do dinheiro", disse Rosana.
A polícia orienta que o consumidor tenha mais cuidado ao realizar transações comerciais pela internet e busque referências sobre quem está anunciando. Recomenda-se ainda que o cliente nunca pague adiantamentos quantias em transações informais, como as que existem em redes sociais e classificados on-line. O usuário deve desconfiar de preços exageradamente baixos e informar imediatamente à polícia ao perceber que está sendo vítima de um golpe.


