Audiência debate risco de privatização de bancos e empresas públicas

Diante do crescente risco de privatização das empresas e bancos públicos, o mandato democrático e popular da deputada estadual Ana Lúcia e o Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE) promoveram, na última terça-feira (25) a audiência pública “Em defesa das empresas e bancos estatais e contra a terceirização”. O Plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe ficou lotado de militantes sindicais, trabalhadores e trabalhadoras, representantes de movimentos sociais e estudantil, que foram participar da Audiência Pública.

Para debater o tema, foram convidados Christiane Senhorinha Campos, professora doutora do departamento de economia da UFS ; Ivânia Pereira, presidenta do Sindicato dos Bancários de Sergipe; Henri Clay Andrade, presidente a OAB/SE; Luis Moura, Economista do DIEESE. Muito representativa, a mesa do evento contou ainda com a presença de Edival Gois, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Sergipe (CTB/SE); Jair Ferreira, representado a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica (Fenae); Rita Josina Feitosa, da Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste (AFBNB); José Antônio dos Santos, representante da Federação dos Bancários Bahia e Sergipe (FEEBBASE), e Jorge Antônio dos Santos, desembargador do TRT, além de Rômulo Rodrigues, representando o mandato do deputado federal João Daniel (PT/SE).

Ana Lúcia destacou que o processo de privatização, fruto de uma visão de redução do Estado, já deu seus primeiros sinais no setor bancário, à medida que começaram a ser fechadas agências bancárias em todo o país, inclusive em Sergipe, bem como a partir da redução do quadro de funcionários dos bancos. “O sucateamento de empresas e bancos públicos é uma estratégia utilizada para justificar a lógica da privatização”, revelou a deputada.

Em sua palestra, a professora Christiane Senhorinha Campos fez um resgate do impacto na economia e, principalmente, nas políticas públicas que foi gerado pelo processo de privatização, sobretudo nos anos 1990, com o pretexto de pagar a dívida pública. “Vendeu-se patrimônio e não se reduziu a dívida pública. “Ficamos sem as fontes pagadoras, demitiu-se muita gente e a prestação de serviços para a população continua sendo bastante problemática”, resumiu a especialista.

O desembargador do Tribunal Regional do Trabalho, Jorge Antonio, lamentou ainda que, apesar de pouco se falar a respeito dos juros da dívida pública, cerca de 46% do orçamento público é gasto com a amortização dos juros e da dívida. “Isso significa que mais de um trilhão de reais no ano passado que foi utilizado para o pagamento a essa rubrica”, completou.

“Diferente das empresas e bancos privados, que visam meramente o lucro, as empresas públicas têm o objetivo de estimular o desenvolvimento do país, sobretudo incluindo as pessoas de baixa renda e mais vulneráveis. Por terem seu lucro voltado exclusivamente para a manutenção própria e para o investimento em políticas públicas, as empresas e bancos públicos têm de ter compromisso social com a população”, destacou a deputada estadual Ana Lúcia.

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