Milton Alves Júnior
Em decorrência da greve geral promovida hoje em todo o país, o serviço de atendimento ao público em vários setores será parcial, ou, em alguns casos, integralmente suspenso. Esse fato, por exemplo, acontece com as agências bancárias das redes pública e particular que aprovaram a adesão ao ato público que tem como meta protestar pela reforma trabalhista e previdenciária imposta pelo Governo Federal, sob o comando do presidente peemedebista Michel Temer. Sem atendimento bancário, os clientes que necessitarem de serviços terão que se dirigir a um caixa de autoatendimento, ou aguardar até a próxima terça-feira, 02, já que na segunda é feriado nacional por conta do Dia do Trabalhador.
De acordo com a presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB), Ivânia Pereira da Silva, todos os contribuintes que deixaram a regularização do Imposto de Renda para o último dia devem imprimir a guia de pagamento e realizar a transição noscashs instalados em todos os bairros da capital, e em todos os municípios sergipanos. “A adesão da nossa categoria é geral e se todos os dias os banqueiros exigem que a classe trabalhadora atinja a meta imposta por eles, hoje é a vez de batermos a nossa meta e pressionar não só a classe empresarial, como também o presidente ilegítimo, os deputados e senadores que estão dando as costas para os interesses dos trabalhadores brasileiros”, declarou.
Já em greve desde a semana passada, os servidores do Departamento de Trânsito do Estado de Sergipe (Sindetran) também aderiram à paralisação geral e todos os postos de atendimento seguem indisponíveis para os clientes. Suspensão integral também para estudantes das redes publica estadual e municipal. Durante assembleia realizada na semana passada, os docentes filiados ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese) decidiram seguir com a mobilização nacional e evacuar as salas de aula. Essa postura ocorre em unidades escolares situadas em Aracaju e nos demais 74 municípios sergipanos. Reinicio das atividades educacionais apenas na próxima terça-feira.
Por meio de nota pública, a direção do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed) informou que a categoria também optou por se juntar aos demais trabalhadores brasileiros e agregar forças ao movimento. Enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais, agentes de combate a endemias, cirurgiões dentistas e médicos veterinários, por exemplo, também decidiram parar as atividades. Por se tratar de atividades consideradas essenciais para a população, no dia de hoje apenas 30% dos trabalhadores estarão compondo a escala de atendimento. “Não podemos aceitar que direitos históricos sejam retirados por uma classe política que sequer ouve os trabalhadores. Trata-se de uma imposição arbitrária e por este, e outros motivos, iremos nos unir a corrente nacional de lutas”, declarou o presidente João Augusto.
Transporte – Na manhã de ontem a direção do Sindicato dos trabalhadores Rodoviários do Estado de Sergipe (Sinttra) informou aos usuários do serviço que a categoria optou por não aderir ao movimento grevista após entender que o transporte coletivo trata-se de um serviço essencial e que os passageiros não podem sofrer com atos grevistas. Diante desta informação, o Jornal do Dia buscou dialogar com o presidente Miguel Belarmino a fim de entender a diferença entre a postura sindical atual e a apresentada no ano passado quando a mesma direção do Sinttra promoveu greve e ameaçou paralisações contínuas do serviço.
Durante o turno da manhã e tarde Belarmino não atendeu a nossa equipe. Em contraponto, apesar das poucas palavras atribuídas, o vice-presidente, Francisco de Assis, revelou que a decisão em não aderir à Greve Geral partiu do presidente e de um pequeno grupo de diretores. Ele garante ter votado a favor do movimento unificado e destacou que a categoria não foi consultada. Em meio a entrevista concedida com exclusividade ao JD, Assis lamentou a não adesão e aproveitou para protestar contra a classe empresarial.
"Eu não estou falando muito sobre esse assunto porque o desentendimento foi grande. A decisão em não se unir aos demais trabalhadores partiu praticamente do presidente que não deu importância ao meu voto e lançou a nota informando que a categoria optou por não aderir à greve. O que nos deixa triste é que sofremos com os ataques e arbitrariedades dos empresários e neste momento de luta importante o Sinttra não estará presente no protesto", lamentou. Apesar da nota, um grupo formado por motoristas e cobradores informou nas redes sociais e em programas de rádio que não aprovam a postura da direção sindical e vai participar do ato público.
Policiamento – Preocupado com a realização da marcha trabalhista, o Comando da Polícia Militar da Capital (CPMC) se reuniu na manhã de ontem com representantes de centrais sindicais e membros do setor comercial a fim de garantir o apoio da Secretaria de Segurança Pública aos manifestantes, bem como aos profissionais que não irão aderir ao movimento. O comando geral da Polícia Militar informou que durante o andamento do ato público, agentes estarão acompanhando a caminhada dos militantes e monitorando através do setor de inteligência, por meio de câmeras instaladas pelo centro da cidade. Pessoas mascaradas estão proibidas, e abordagens serão efetuadas em caso de suspeita de promoção a atos de vandalismo e depredação do patrimônio público.


