Polícia investiga agressão a delegado em protesto

Gabriel Damásio

 

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o episódio ocorrido nesta quarta-feira em frente à Fabrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras (Fafen), em Laranjeiras (Vale do Cotinguiba), no qual um grupo de manifestantes agrediu o delegado de polícia João Martins Cunha, responsável pela Delegacia de Riachuelo. Durante um protesto organizado pelo Movimento SOS Emprego, que reúne grupos de desempregados de Laranjeiras, Martins foi cercado, xingado, ameaçado e empurrado por cerca de 30 manifestantes que bloqueavam a entrada da fábrica. Ele chegou a ter a camisa rasgada por pelo menos dois homens que tentavam puxá-lo do local.

O caso será investigado pela Delegacia de Laranjeiras, mas diretamente acompanhado pela Coordenadoria de Polícia Civil da Capital (Copcal). De acordo com a coordenadora Viviane Cruz Pessoa, a delegacia responsável pelo inquérito ainda será definida, mas sua equipe pediu as gravações de imagens do circuito de segurança da Fafen e já começou a analisar outras fotos e gravações de vídeo e áudio já divulgadas nas redes sociais. Também foi solicitada uma perícia do Instituto de Criminalística na viatura da Delegacia de Riachuelo, que também foi cercada pelos envolvidos e teve dois pneus cortados a faca. Um colete à prova de balas pertencente à delegacia chegou a ser levado por outro manifestante, mas devolvido após a chegada de mais policiais ao local.

Em algumas das gravações cedidas, pessoas ligadas ao protesto afirmavam que o delegado teria sacado a arma para o grupo e até disparado tiros para o alto. Esta afirmação é negada pela polícia e pelo próprio João Martins, em depoimento informal à delegada. Viviane assegura que o colega, ao ser cercado, repassou sua pistola a um vigilante da fábrica e em seguida pegou uma submetralhadora que estava na viatura, mas manteve a arma apontada o tempo todo para baixo. Ela explica que tais atitudes foram tomadas para evitar que as armas fossem levadas pelos manifestantes.

“Uma das pessoas que o cercaram rasgou a camisa dele e o agrediu. Neste momento, ele entregou a arma ao vigilante da Fafen e como as intimidações permaneceram, ele foi até a viatura e pegou a arma longa para que as pessoas se afastassem dele e que ninguém tivesse acesso a ela. É uma arma de alto poder letal. Se ela caísse nas mãos de uma pessoa que estava querendo o agredir, teríamos uma situação bastante complicada”, justificou ela. Ainda de acordo com o relato, Martins foi à fábrica naquela manhã para almoçar, pois, conforme um acordo entre a Fafen e a Secretaria de Segurança Pública (SSP), policiais lotados em Laranjeiras e cidades vizinhas têm permissão para fazer refeições no restaurante da unidade.

“Na ida para a Fafen, ele fez um contato com a liderança da manifestação, foi liberada a passagem dele pela barreira e ele se dirigiu tranqüilamente ao portão de entrada da Fafen, pra saber como seria o acesso, e nesse momento ele foi cercado”, conta a coordenadora. Após a primeira agressão, Martins chegou a prender o autor, mas foi obrigado a recuar depois da chegada de outros manifestantes. “Como o clima ficou mais tenso, ele decidiu dialogar com os agressores, porque ele tem um curso de gerenciamento de crises, conseguiu manter o controle e trabalhou em cima dessa técnica policial para acalmar a situação, até a chegada de uma equipe da Polícia Militar que o auxiliou a sair do local”, completa.

O delegado João Martins prestou um boletim de ocorrência e passou por um exame de corpo delito no Instituto Médico-Legal (IML). A princípio, foi identificada a prática dos crimes de lesão corporal e dano ao patrimônio público, o que pode ser confirmado após a conclusão do inquérito. Os envolvidos na agressão devem ser processados nas áreas criminal e cível. No entanto, a coordenadora da Copcal atribuiu o incidente a pessoas ‘infiltradas’ no protesto dos desempregados. “A gente sabe que a manifestação dos trabalhadores é pacífica e eles são pais de família que lutam para reaver seus empregos. Eu acredito que esse episódio tenha sido provocado por pessoas que se infiltram na manifestação para provocar desordem e estimular a violência, e nada têm a ver com os manifestantes”, ponderou Viviane. 

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