Secretário de Saúde de Aracaju pede demissão

Milton Alves Júnioir

 

O médico André Sotero pediu ontem demissão do cargo de secretário municipal de Saúde de Aracaju, em que ocupava há menos de seis meses. De forma interina a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) segue sendo administrada pela diretora de planejamento da pasta, Waneska Barboza, e de forma paralela pela diretora financeira Mônica Passos. A mudança paliativa no comando segue até a próxima sexta-feira, 23, quando o prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), pretende apresentar o nome do novo secretário.

De acordo com Sotero, desde o último mês de março tem percebido que as atividades funcionais estavam ocorrendo sem o seu respectivo conhecimento e aval.

Sobre o pedido de exoneração, apresentado através de oficio encaminhado ao gabinete do prefeito, Sotero lamenta que “o poder executivo municipal tenha adotado medidas antidemocráticas que foram impostas pelo próprio prefeito sem a devida consulta aos técnicos que atuavam juntamente com ele no desenvolver das ações”.

Entre essas mudanças estava a metodologia de remuneração das horas extras que foram suspensas sem aviso prévio aos servidores e sem consulta ao próprio secretário. O ex-secretário informou que o Departamento Administrativo e Financeiro trabalhava para barrar a resolução de problemas na pasta. 

De acordo com Sotero, é necessário que o prefeito conceda ao novo secretário “a possibilidade de trabalhar de forma ética, sem nenhum tipo de interferência desleal ou antidemocrática”. Ele lamenta que o diálogo tenha ocorrido juntamente com a classe trabalhadora, diante da perspectiva de qualificação do Sistema Único de Saúde (SUS), de Aracaju. “Através de denúncias que chegavam a mim percebi que muitas unidade sde saúde administradas pela SMS estão sem dipirona, sem AAS, sem alguns medicamentos destinados a pacientes com hipertensão e diabetes. Como eu tenho dito há alguns dias em reuniões internas, esse problema não ocorre devido a falta de dinheiro. Essas informações eu constatei em visitas que fiz nos postos”, disse.

No final da manhã de ontem, já fora da direção geral, ele lamentou que: “O DAF nunca me comunicou nada! Na verdade, quem assina como DAF não está nomeada como tal. Tanto de um lado, como do outro a minha concepção mostra que tratam-se de articulações pelo menos desrespeitosa”, declarou. Paralelo aos problemas relacionados a falta de investimento em aquisição de remédios, por exemplo, André Sotero lamentou que um número alto de nomeações e exonerações estava ocorrendo sem a devida autorização do secretário. Para ele, a falta de debate coletivo nos assuntos importantes contribuíram para que os problemas na saúde pública básica da capital sergipana se agravasse de forma contínua.

“O revoltante é que estavam sendo cobrado de mim a resolução de um problema gerado por outra pessoa. Jamais assumirei erros que não são meus.  Jamais faltarei respeito com as pessoas”, pontuou. 

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