Milton Alves Júnior
A notificação de 6.816 casos de diarreia entre os meses de abril a junho deste ano, em Aracaju, levou a Coordenação de Vigilância Epidemiológica (Covepi), por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS), a solicitar esclarecimentos junto à Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso). Suposições dos técnicos levam a crer que o surto da doença na região da Grande Aracaju pode estar diretamente relacionado à qualidade da água que é fornecida pela estatal sergipana. Para identificar, ou não, a presença de agentes etiológicos como bactérias, vírus e parasitas, amostras de água foram encaminhadas para o Laboratório Central de Saúde Pública de Sergipe (Lacen).
Sob suspeitas, a direção da Deso informou contribuir com todas as fases periciais do produto fornecido, mas destacou que ao longo dos anos tem qualificado e ampliado as técnicas estatísticas que respeitam os padrões de potabilidade para substâncias químicas e de aceitação para consumo humano, estabelecidos na Portaria 2914/2011 do Ministério da Saúde. Esta medida tem como principal intuito promover melhorias cada vez mais constantes e proporcionar aos consumidores um fornecimento de qualidade, o qual beneficie o cidadão contribuinte. O laboratório responsável pela análise não informou quando o resultado final deve ser apresentado aos órgãos fiscalizadores.
De acordo com a gerente da Área Técnica de Surto da Covepi, Mariana Aragão, os surto registrados apresentaram quadro de debilitação entre dois e 14 dias; além da diarreia, os pacientes reclamavam de dores no abdômen e, em alguns casos, registro de febres. Para a especialista, é necessário que todas as pessoas busquem atendimento profissional imediato, a fim de minimizar os efeitos negativos que a doença pode proporcionar ao paciente. A gerente alegou ainda que as análises das águas podem mostrar o porquê do elevado número de pessoas com diarreia; segundo Mariana, nos anos anteriores também houve registro da doença, mas em escala bastante inferior à registrada nos últimos três meses.
“Todo o cuidado neste período é pouco, então caso a pessoa se depare com uma situação grave, é preciso que ela busque de imediato um posto de saúde ou unidade hospitalar antes que a desidratação apresente um quadro mais prejudicial. Enquanto isso, mesmo sem sintomas, o aconselhável é que todos permaneçam se preocupando com a respectiva higiene, lavando bem as mãos e se hidrate a cada instante”, declarou. Além da Vigilância em Saúde, o Ministério Público Estadual também acompanha as análises da água fornecida pelo Deso aos sergipanos.


