Prefeito diz que sofreu emboscada e foge de Poço Verde

Gabriel Damásio

 

A Polícia Civil vai investigar um suposto plano para assassinar o prefeito de Poço Verde (Centro-Sul), Iggor Oliveira (PSC). Ele denuncia que sofreu uma tentativa de emboscada em frente à sua residência, no centro da cidade, por volta das 19h30 de anteontem. Dois homens armados seguiram um carro com amigos que iriam visitar o prefeito e tentaram rendê-los, mas as vítimas conseguiram escapar. Iggor deixou a cidade às pressas e sob escolta da Polícia Militar, após ser avisado da perseguição aos amigos e de que os criminosos pretendiam, na verdade, atacá-lo. Ontem, ele esteve na sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP), em Aracaju, pedindo investigação do caso e garantias de vida para ele e sua família.

Em relato publicado nas redes sociais, o prefeito disse que estava em casa com a esposa e os filhos, aguardando a chegada dos dois colegas, quando ouviu os barulhos da abordagem dos criminosos e gritos de um deles para que o comparsa disparasse tiros. “Ocorre que o carro que eles [os amigos] andavam era igual ao da minha esposa, um Fox branco, que costumo andar sempre [sic] por nosso município. Assim que o carro parou em minha porta, dois homens armados que esperavam na esquina do Clube de Mães, em frente, chegaram de forma rápida, sentenciando: ‘Não deixa ele descer [do carro] não, atira’. Foi quando os amigos conseguiram fugir no carro e eles não conseguiram mais acompanhar, dentro de casa eu consegui ouvir todo o momento da correria e foi uma grande aflição”, escreveu Iggor.

Poucos minutos após o incidente, o prefeito recebeu uma ligação da secretária municipal de Controle Interno, Nelma Suely, que o alertou sobre a emboscada. Aflito, ele pediu ajuda ao major Alexsandro Ribeiro, comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar (11º BPM). Em seguida. Em seguida, deixou a cidade com a família e, acompanhados por uma equipe de PMs, viajaram até Aracaju e chegaram por volta das 23h30. Já os amigos do prefeito reapareceram na manhã de ontem e prestaram boletim de ocorrência na Delegacia de Poço Verde, onde prestaram depoimento e confirmaram terem visto uma arma curta com os autores da tocaia. “Eles viram a moto chegando de frente e retornando por trás, os dois de capacete e o rapaz tirando a arma”, confirmou, dizendo que ainda que o horário do ataque é o mesmo em que costuma chegar em casa todos os dias.

Um inquérito policial foi logo instaurado na delegacia local, que já investiga um incêndio criminoso ocorrido na madrugada desta segunda-feira, quando desconhecidos atearam fogo e destruíram parcialmente um carro do Departamento Municipal de Trânsito. “Uma situação gravíssima e que não me cansarei de buscar a verdade dos fatos. É importante lembrar também, que nesta madrugada incendiaram um veículo da Prefeitura Municipal, na Praça Tancredo Neves. Eventos isolados, mas que preocupam demais”, disse Iggor em seu relato. O prefeito passou a manhã reunido na SSP com o secretário João Eloy de Menezes e com o coordenador de Polícia Civil do Interior, Jonathas Evangelista, cuja equipe também trabalhará na apuração do caso. O delegado afirma que já colheu do gestor algumas informações que podem ajudar na investigação e que, até o momento, nenhuma possibilidade está descartada sobre a motivação da tocaia. 

O vice-governador Belivaldo Chagas (PMDB) conversou com o prefeito de Poço Verde na noite do incidente e prestou-lhe apoio em nome do governo estadual. Já a Federação dos Municípios de Sergipe (Fames), que representa os prefeitos, repudiou a emboscada contra Iggor e indicou que ela pode ter sido motivada por questões políticas. “A FAMES repudia qualquer tipo de violência motivada por razões políticas. É inadmissível que Sergipe assista cenas repudiantes como essa, motivadas pelo ódio e destempero de alguns, que se mostram desequilibrados e inaptos ao convívio social. A Federação se coloca à disposição do prefeito Iggor Oliveira e seus familiares na busca de uma investigação rigorosa e rápida, punindo os responsáveis para que essa atitude não fique impune e estimule novas tentativas de intimidação”, declara a entidade. 

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