Um sargento da Polícia Militar foi preso em flagrante por volta das 11h de ontem no Mercado Thalles Ferraz, centro de Aracaju, acusado de extorquir dinheiro de comerciantes estrangeiros que trabalham no local. O militar, lotado no corpo de guarda do Quartel do Comando Geral (QCG), era investigado por equipes do Serviço Reservado da PM (PM-2) e do Grupamento Especial Tático de Motos (Getam), que o prenderam no momento em que recebia R$ 2 mil em dinheiro de um cidadão colombiano. Com o sargento, também foi preso um civil que portava cópias de uma carteira funcional da PM e um revólver calibre 38 de numeração raspada.
Segundo informações confirmadas pelas polícias Civil e Militar, o sargento e seu parceiro abordaram o vendedor pela primeira vez na semana passada, quando ele estava caminho do Centro com a esposa e o filho pequeno. Na ocasião, os três tiveram os documentos apreendidos e foram obrigados pelos acusados a voltar para casa e entregar-lhes os passaportes. Em seguida, ouviram a proposta de que os documentos seriam devolvidos mediante o pagamento da propina de R$ 2 mil. A negociação se seguiu e um encontro foi marcado para entrega do dinheiro.
Soldados do PM-2 já investigavam essa denúncia e aguardaram o pagamento do dinheiro para prender os dois acusados. O sargento foi flagrado com o dinheiro e uma pistola calibre .40, enquanto o parceiro estava com o revólver e alegou ser policial militar, mas não teve sua identidade confirmada nos dados da corporação. O Getam levou a dupla e o colombiano para a 1ª Delegacia Metropolitana (1ª DM), no Leite Neto (zona sul), onde prestaram depoimento. A vítima confirmou toda a extorsão e os acusados negaram, alegando que estavam trabalhando em uma “missão sigilosa”. O delegado Everton Santos autuou os presos por extorsão e porte ilegal de arma, instaurando ainda um inquérito para apurar se outros comerciantes podem ter sido vítimas do mesmo crime.
No fim da tarde, o falso policial foi recolhido à carceragem da 1ª DM e o sargento foi transferido para o Presídio Militar (Presmil), no Getúlio Vargas. O chefe de relações-públicas da PM, coronel Paulo César Paiva, lamentou o episódio e disse que ele será tratado com rigor pelo comando da corporação. Um processo administrativo disciplinar será instaurado na Corregedoria da corporação e, ao seu final, o sargento pode ser expulso. “Este foi um episódio pontual, pois os nossos homens e mulheres são honestos e corretos. Nossa corporação não admite desvios de conduta e, em casos como esse, não hesitamos em cortar na própria carne”, ressaltou Paiva. (Gabriel Damásio)


