Mais de 20 mil estudantes da rede municipal seguem distantes das salas de aula em virtude do impasse administrativo protagonizado por professores e gestores da Prefeitura de Aracaju. Depois de oito dias de paralisação oficializado em 75% das instituições de ensino, na manhã de ontem os docentes voltaram a se reunir em assembleia extraordinária e apoiaram a manutenção da paralisação é indicativo de greve geral já a partir deste mês de agosto caso não haja avanço significativo nas negociações. As atividades educacionais seguem indisponíveis em virtude de a administração municipal ainda não ter repassado o reajuste salarial de 7,64% determinado pelo Ministério da Educação (MEC), em janeiro deste ano.
Conforme lamentações do Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município (Sindipema), desde o início da mobilização a PMA, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), e da Secretaria Municipal da Fazenda (Semfaz), tem relatado que não possui condições atuais para atender a demanda pleiteada. Uma planilha detalhando o impacto na folha municipal foi apresentada, mas a classe trabalhadora diz não aceitar as desculpas, pede prazo para que o direito seja atribuído e ameaça permanecer de braços cruzados por tempo indeterminado. Os 25% correspondentes às escolas que voltaram das férias estão funcionando com o auxílio de professores substitutos.
Para o presidente do Sindipema, Adelmo Meneses, os professores exigem que ao menos o prefeito Edvaldo Nogueira informe quando esse direito constitucional será respeitado, evidentemente, com o respectivo valor retroativo à data base imposta pelo MEC. "Esse piso é nacional, não fomos nós que criamos. Esse reajuste de 7,64% é um direito de todos os professores do Brasil e estamos brigando por ele. Hoje são 76% das escolas paradas e não custa nada lembrar mais uma vez ao prefeito que estamos na luta por um direito que é lei e ele (Edvaldo Nogueira) precisa respeitar", disse.
Saúde – Com reivindicações semelhantes, os médicos da rede municipal voltaram na manhã de ontem aos postos de saúde administrados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Depois de 48 horas de paralisação parcial em 44 unidades de baixa complexidade, os médicos optaram por reiniciar as atividades e seguir dialogando com os atuais gestores da capital sergipana. Uma nova rodada de negociação está agendada para o próximo mês de setembro, sem data e local definidos. Os profissionais da medicina exigem um reajuste básico em cima da perda inflacionária que acumula neste período 4,8%. O Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), não descarta nova paralisação caso avanços não sejam proporcionados até a nova rodada de diálogos. (Milton Alves Júnior)


