Milton Alves Júnior
Depois de sete dias sofrendo mais uma vez com a ‘crise do lixo’, na manhã de ontem o aracajuano se deparou com um número maior de profissionais do Grupo Estre/Cavo promovendo a coleta de resíduos domésticos e comerciais que antes ocupavam as calçadas e terrenos baldios. A perspectiva de acordo com a Prefeitura de Aracaju é que todas as toneladas acumuladas durante o período de impasse entre a classe trabalhadora e o grupo empresarial possam ser removidas até o início da noite de hoje. A administração da capital sergipana informou ainda que todo o serviço de normalização do sistema está sendo monitorado pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), órgão responsável pela contratação da Cavo.
O problema na coleta teve início na quinta-feira da semana passada, dia 17, quando garis e margaridas cruzam os braços por tempo indeterminado nas cidades de Aracaju e Nossa Senhora do Socorro em virtude da falta de reajuste salarial, atuação funcional com carga horária excessiva, não pagamento do adicional insalubridade e ausência no fornecimento de condições básicas de trabalho. Além disso, a ausência de fardas novas e demais Equipamentos de Proteção Individual (EPI), por exemplo, tem contribuído para que os mais de 1.300 profissionais da limpeza urbana permanecessem se deparando com situações de vulnerabilidade física e psicológica.
De acordo com a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe (Sindelimp), a decisão de reiniciar as atividades, inclusive, de forma paralela aos carreteiros, foi adotada pelos trabalhadores após a empresa ter anunciado que vai manter a classe no Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), e promoverá 9% de reajuste no salário e 13,75% do ticket alimentação dos agentes de limpeza. Vereadores e fiscais do Ministério Público Estadual (MPE), também seguem acompanhando a retomada unificada dos serviços de coleta. O presidente do Sindelimp prometeu agilidade nas demandas pendentes.
"Todas as atribuições da categoria serão respeitadas dentro do menor prazo possível, já que os empresários decidiram apresentar uma contraproposta e a categoria, por sua vez, acatou. O serviço está sendo realizado dentro do previsto e deve ser normalizado ainda nesta sexta-feira", declarou Rayvanderson Fernandes. Sobre a probabilidade de novos atos públicos, o sindicalista concluiu dizendo: "agora só depende do setor patronal. Caso a promessa não seja cumprida, o que espero não ocorrer, a categoria volta a se reunir em assembleia e deliberar se para o serviço, ou não".

