Professores municipais iniciam nova paralisação

Milton Alves Júnior

 

Professores da rede municipal de Aracaju decidiram transformar a paralisação de advertência e optaram por deflagrar greve por tempo indeterminado. Com a definição, aprovada em assembleia extraordinária promovida pelo Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município (Sindipema), todas as 74 instituições de ensino administradas pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), começam a sentir a partir de amanhã uma redução significativa no quadro de servidores em salas de aula. O sindicato conta com 80% de adesão da classe trabalhadora; essa porcentagem significa uma média de 1.400 profissionais de braços cruzados.

As atividades letivas deste segundo semestre seguem suspensas em virtude de a administração municipal ainda não ter repassado o reajuste salarial de 7,64% determinado pelo Ministério da Educação (MEC). Essa definição federal foi aprovada e sancionada no mês de janeiro, e impulsionou os vencimentos mensais dos professores de R$ 2.135,64, para R$ 2.298,80. O Sindipema informa que aguarda uma contraproposta por parte do prefeito Edvaldo Nogueira.

Hoje e amanhã, as aulas seguem ocorrendo dentro da normalidade, mas voltam a ser suspensas já na manhã da próxima sexta-feira. De acordo com o professor Adelmo Menezes, é de fundamental importância que a PMA busquei atender os educadores, respeitem a definição nacional e evitem maiores prejuízo aos alunos. "Estamos cumprindo o que determina a nossa legislação e durante essas 72 horas as aulas ocorrem dentro do previsto, mas a greve já foi deflagrada. Já estamos praticamente em setembro, o reajuste foi dado em janeiro, e até agora nada. Nossa paciência chegou ao limite", declarou.

Outro problema novamente citado pela categoria refere-se ao longo período de debates; o sindicato lamenta que durante os últimos quatro meses o poder executivo municipal, a fim de supostamente tentar atender aos anseios da categoria, tenha prometido criar uma comissão especifica entre os secretários da Fazenda, Planejamento e Educação, mas até a tarde de ontem nenhuma resposta tenha sido apresentada. Sem respeito ao piso salarial e retroativo dos respectivos direitos trabalhistas, os professores não pretendem reiniciar as atividades.  Adelmiro defende a unificação das forças contra a demora dos repasses.

A PMA alega que um estudo de impacto financeiro já foi apresentado ao Sindipema; esse dossiê foi elaborado de forma detalhada e com o máximo de transparência. "A gestão não tem como conceder o reajuste, tendo em vista que teria que pagar não somente aos servidores ativos, mas também aos inativos, o que colocaria em xeque o pagamento de salários e continuidade dos serviços básicos restabelecidos para o funcionamento da rede da Educação de Aracaju", explicou. Uma nova assembleia da categoria está marcada para a próxima terça-feira (05).

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