Gabriel Damásio
O Conselho Regional de Enfermagem (Coren) decretou ontem à tarde a interdição ética do Hospital Municipal Fernando Franco (UPA Zona Sul), no Augusto Franco (zona sul de Aracaju). Foi durante uma visita de fiscalização à unidade, que contou com a presença de todos os conselheiros regionais e da presidente do órgão, Maria Cláudia Tavares. Com esta decisão, os enfermeiros lotados no hospital estão orientados a atender apenas os casos considerados emergenciais, encaminhando o restante da demanda ao Hospital Nestor Piva e ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).
De acordo com o Conselho, a visita constatou diversas falhas e irregularidades na estrutura física, nas condições de atendimento à população e nas condições de trabalho dos enfermeiros. O principal problema apontado foi a falta de enfermeiros disponíveis para cada plantão, cujo total atual é insuficiente e provoca sobrecarga de trabalho aos demais profissionais. Também foram apontadas questões relativas à superlotação de pacientes e a falta de segurança para o trabalho dos enfermeiros e técnicos. A interdição vale até a resolução dos problemas apontados.
Em nota, o Coren disse que a interdição ética foi aplicada ao Fernando Franco “após diversas conversas com gestores da saúde municipal, notificações, e nenhuma solução para assegurar o serviço de enfermagem”. “As irregularidades encontradas que culminaram na interdição do Hospital já haviam sido passadas através de relatórios para a Secretaria Municipal de Saúde (…) Esse processo de fiscalização na unidade ocorre desde 2011, porém não foram tomadas providências para resolução, bem como a SMS não se posicionou diante dessas notificações. E, para assegurar condições de trabalho para a enfermagem e segurança no atendimento para a população, o conselho achou por bem interditar até que a Prefeitura tome alguma providência diante da situação crítica”, diz o Coren.
A Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju (SMS) informou que fará uma reunião às 10h de hoje com a diretoria do Coren, para discutir os problemas apontados na fiscalização e a retirada da interdição ética no hospital.


