Milton Alves Júnior
Em ritmo avassalador, índice de motociclistas acidentados no Estado de Sergipe e encaminhados para unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), segue liderando o topo do ranking de atendimentos. Somente Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), entre os meses de janeiro e agosto deste ano, 3.965 prontuários foram abertos na maior unidade pública do estado; destes, 1.034 necessitaram permanecer internados na unidade a fim de seguir com o acompanhamento de especialistas. Esse número expressivo contabiliza ainda casos de colisão automotiva registradas em estados vizinhos como a Bahia e Alagoas. Parte deste grupo de acidentados segue para a capital sergipana por possuir geograficamente um hospital especializado em traumas mais próximo se comparado a Salvador e Maceió.
Quanto ao índice de óbitos entre motociclistas, somente nos municípios da Região Metropolitana entre os meses de junho e agosto, 18 pessoas perderam a vida conforme números oficializados pelos órgãos competentes. Paralelo à imprudência dos condutores – principal causa dos sinistros, a falta de manutenção dos ciclomotores e desrespeito às leis de trânsito por parte de terceiros, acaba influenciando diretamente para que esses dados sigam em disparada ao longo dos últimos anos. Para evitar que 2017 não chegue ao fim de forma semelhante e sangrenta igual aos demais, médicos ortopedistas e profissionais especializados em trânsito tentam conscientizar a população a seguir as normas de segurança, e, assim, contribuir para que os riscos sejam minimizados.
Se mostrando preocupado com a recorrência dos fatos, o médico ortopedista Emerson Gonçalves destacou que os governos, sobretudo o Departamento Estadual de Trânsito do Estado de Sergipe (Detran), ‘ensaia’ e põe nas ruas peças publicitárias que enaltecem a necessidade de todos os motoristas optarem por conduzir veículos dentro dos limites de segurança. Além das ações de marketing, a realização de blitz e instalação de radares tem contribuído para que outros acidentes ampliassem as estatísticas. O problema é que, apesar dos esforços atribuídos, a autoconfiança de muitos acaba resultando em acidentes graves. Emerson destaca que para mudar este cenário é preciso que as pessoas busquem zelar mais pela própria vida.
“Para se conhecer a realidade desse tema abordado basta se dirigir ao setor de trauma do Huse e observar quantas pessoas estão lá acolhidas após acidente de moto, e quantas chegam a cada hora em ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Quem nunca se deparou com motociclistas deitados nas ruas e avenidas aguardando socorro. A consciência de muitos deve mudar. Enquanto alguns acharem que a velocidade é prazerosa e que estão imunes de colisões, este quadro preocupante vai permanecer não só aqui em Sergipe, mas também em todos os demais estados brasileiros, infelizmente”, declarou. Quando levado ao cenário nacional, a situação é ainda mais agravante. Somente em 2016, cerca de 12 mil motoqueiros morreram vítimas de acidente no país.
Conforme estatísticas levantadas pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), em parceria com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), ao longo dos últimos cinco anos esses números estão triplicando. No contexto geral, 80% dos acidentes que envolvem motos são causadas por imprudências dos próprios motociclistas. Os estudos indicam ainda que se o risco de morrer em uma colisão de automóvel já é significativo, a depender das circunstâncias do acidente, sobre uma motocicleta essas chances são 20 vezes maiores. Esse número sobe para 60 vezes se a pessoa não estiver usando o capacete. No interior do estado se deparar com dezenas de motociclistas sem utilizar o capacete não se trata de uma tarefa complicada.


