Sargento PM é morto em microônibus ao dar voz de prisão a dois assaltantes

Gabriel Damásio

 

O sargento Djalma Lima Santos, 47 anos, lotado na 3ª Companhia do 4º Batalhão de Polícia Militar (3ª Cia/4º BPM), morreu ao início da noite desta quinta-feira, após ser baleado durante um assalto contra um ônibus da Coopertalse que ia de Aracaju para Nossa Senhora da Glória (Alto Sertão). O crime aconteceu por volta das 21h na rodovia SE-206, na altura do Povoado Siririzinho, em Siriri (Vale do Cotinguiba), próximo a uma usina da Vale. Dois bandidos haviam embarcado no veículo como passageiros e anunciaram o assalto ao passar pelo local, quando Djalma reagiu à abordagem. O militar estava de folga e voltava para Glória após passar o dia resolvendo assuntos particulares na capital.

Testemunhas disseram à polícia que o sargento tentou render um dos assaltantes, mas foi imediatamente surpreendido pelo outro, que estava armado com um revólver e o atingiu com dois tiros. Os criminosos, que tentavam tomar os objetos dos passageiros, fugiram logo em seguida. Ferido na cabeça e nas costas, Djalma foi socorrido pelos passageiros e levado por outros PMs até o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), mas morreu enquanto recebia o atendimento médico.

Assim que o crime foi denunciado, várias equipes das polícias Civil e Militar seguiram para a rodovia e iniciaram as buscas pelos criminosos. Inicialmente, descobriu-se que o microônibus não possui câmeras de segurança, o que criou dificuldades iniciais à investigação. No entanto, com a divulgação do crime pela imprensa e pelas redes sociais, os policiais passaram a receber e apurar várias denúncias anônimas. Eles também tiveram acesso a imagens do circuito de segurança do Terminal Rodoviário Luiz Garcia, no centro de Aracaju, de onde os assaltantes embarcaram no veículo.

Ao início da tarde de ontem, os suspeitos foram presos por soldados da 2ª Companhia do 9º Batalhão (2ª Cia/9º BPM). De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), eles são apontados como os responsáveis pela morte do sargento e já eram processados por outros assaltos ocorridos na região. Os bandidos tinham acabado de roubar uma moto e acabaram detidos depois de uma perseguição. Eles foram levados para a Delegacia de Capela e interrogados até o começo da noite. Pela manhã, um terceiro acusado foi detido e interrogado pela delegada Mariana Amorim como suspeito de ter alugado o revólver usado pelos assaltantes para cometer o crime. A polícia deve divulgar outros detalhes da investigação ao longo deste final de semana.

O corpo do sargento Djalma foi velado na casa da mãe, em Nossa Senhora da Glória, e sepultado ao fim da tarde de ontem no cemitério local. Casado e pai de três filhos, ele estava na Polícia Militar desde 1992. Sua morte causou revolta e comoção ente os colegas da corporação, que o consideravam uma pessoa correta e dedicada à profissão. “A perda do sargento Djalma, além de representar uma dor imensa aos familiares e amigos, é um golpe sentido também por todos os membros da Corporação. O servidor contribuiu durante 25 anos com dedicação, profissionalismo, honestidade e comprometimento para a preservação da segurança e da vida do próximo”, diz o Comando da PM, em nota oficial.

O caso se destaca ainda por uma trágica coincidência: um dos filhos do sargento, o estudante David Philip Motta Santos, também morreu baleado, em março de 2014. O incidente aconteceu no Conjunto Marcos Freire II, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), quando policiais da antiga Companhia de Radiopatrulha (CPRp) tentavam abordar dois rapazes em uma motoneta. David era o garupa e levou um tiro na cabeça, disparado pelo tenente Jamisson dos Santos. Na ocasião, Djalma era cabo e criticou duramente a abordagem dos colegas, negando inclusive a versão de que o filho estaria supostamente armado. O oficial acabou arrolado como réu por homicídio simples, em um processo que tramita na 2ª Vara Criminal de Socorro e ainda está na fase de instrução (quando as testemunhas são ouvidas pelo juiz). 

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