Gabriel Damásio
Três homens morreram na segunda chacina ocorrida no Estado em cerca de dois dias. O crime aconteceu à 1h30 de ontem no Alto da Divinéia, em São Cristóvão (Grande Aracaju). Diego Batista dos Santos, 22 anos, José Cléber Gonçalves dos Santos, 18, e Edivânio Silva da Conceição, 24, estavam em duas residências que acabaram invadidas por um grupo de oito criminosos armados. Eles assassinaram as vítimas com vários tiros de pistola e de revólver, além de uma arma branca, que, segundo informações preliminares, foi usada para cortar o pescoço de Diego. Apurou-se ainda que Cléber morreu ainda na sala da primeira casa, enquanto Diego e Edivânio acabaram encurralados no banheiro da casa vizinha.
As equipes da Polícia Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tiveram dificuldades em chegar ao local do crime, que fica em uma região de difícil acesso. Houve ainda dificuldades em conseguir informações da vizinhança, que pouco falou com a polícia, com medo de represálias. No entanto, confirma-se que o crime teve características de execução e uma linha de investigação já foi definida pelos policiais da 5ª Divisão do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que os três jovens mortos já tinham passagens e eram investigados por outros crimes. Um deles, Diego, já foi indiciado por porte ilegal de arma e formação de quadrilha, tendo sido preso em maio de 2016 e liberado meses depois. Cléber e Edivânio, por sua vez, aparecem em inquéritos policiais do DHPP como suspeitos de roubos e possíveis homicídios praticados em São Cristóvão. Ainda de acordo com a SSP, os três chegaram a ser alvos de uma operação deflagrada na sexta-feira passada pelo DHPP com o Departamento de Narcóticos (Denarc) e três batalhões da PM, para prender grupos envolvidos com os assassinatos investigados no Alto da Divinéia.
A suspeita é de que o crime esteja relacionado a uma rixa entre quadrilhas rivais que disputam a hegemonia na comunidade. “Acreditamos mais na hipótese de brigas de gangues, que disputam o espaço e querem exterminar um ao outro para se sobressair naquela região e fazer o comércio de entorpecentes com mais tranqüilidade” disse a delegada Thereza Simony Silva, diretora do DHPP, que admite a necessidade de um trabalho mais forte das polícias Civil e Militar para desbaratar as quadrilhas de traficantes. “Infelizmente, o tráfico está dominando aquela região, mas, até por uma própria cobrança da Delegacia Geral, nós vamos fazer um trabalho conjunto com o Denarc para identificar e prender os autores”, admite. Apenas em São Cristóvão, outros 63 assassinatos já aconteceram neste ano.
A primeira chacina da semana aconteceu no sábado, em uma casa na periferia de Neópolis (Baixo São Francisco), onde outros quatro jovens foram mortos por cinco atiradores encapuzados. Entre as vítimas, está uma mulher de 20 anos que estava grávida de seis meses. A polícia suspeita igualmente que o crime estava ligado à disputa pelo tráfico, pois três das vítimas já foram presos e processados por tráfico e roubo. O crime ainda é investigado pela Delegacia de Neópolis.


