Gabriel Damásio
Dois homens foram presos pela Polícia Civil como suspeitos de envolvimento com o assassinato da professora Ivânia Santana de Oliveira, 45 anos, morta a tiros no último dia 12, dentro do estacionamento do Colégio Estadual Guilherme Campos, em Campo do Brito (Agreste). Um dos suspeitos é o ex-presidiário Jackson Douglas Passos Carvalho, 45, que era namorado da vítima e é apontado pela família dela como principal responsável pelo crime. Jackson foi detido nesta terça-feira no bairro Santos Dumont (zona norte de Aracaju), em cumprimento a um mandado de prisão temporária expedido pelo juízo da Comarca de Campo do Brito.
Além de Jackson, a Justiça decretou a prisão de Fábio Almeida Santana, apontado como o que teria desaparecido com o telefone celular da professora assim que ela foi morta. Ele foi preso na manhã de ontem em Itabaiana e, segundo a polícia, estava com o aparelho. Segundo a delegada responsável pelo caso, Michelle Araújo, o celular será periciado pelo Instituto de Criminalística, pois há a suspeita de que ele teria sido formatado. “O que chamou a atenção foi que o aparelho da vítima foi todo apagado, não tem dado nenhum. Por isso, ele foi encaminhado para a perícia e vamos tentar recuperar esses dados, para colher novos elementos que reforcem a investigação”, disse ela. Os dois ficarão detidos por 30 dias.
A polícia trabalha com a suspeita de que a morte da professora tenha sido um crime passional, pois os familiares afirmam que Ivânia e Jackson tinham um relacionamento muito conturbado. Michelle destacou que a suspeita sobre o namorado foi apontada de forma “contundente” pelos parentes dela e está reforçada por alguns indícios. “As roupas, sapatos e muitos objetos pessoais do investigado estavam no porta-malas do carro, e de forma desordenada, como se eles tivessem brigado e ela meio que quis entregar as coisas a ele naquele dia. E namorado esteve na cena do crime”, suspeita. Dois prováveis motivos foram apontados: a insistência do ex-detento em oficializar uma união estável com a professora, com a qual ela não concordava, ou o próprio término do namoro, que durava nove anos.
Outra suspeita foi o comportamento demonstrado pelo suspeito, que chegou a liberar o corpo da vítima no Instituto Médico-Legal (IML) e acompanhar o velório e o enterro. Segundo a delegada, o que mais chamou a atenção foi o choro demonstrado por Jackson. “Era um choro forçado, encenado, que dava pra perceber que era algo fingido”, resumiu ela, citando ainda que Ivânia pode ainda ter sido vítima de agressões do namorado. “Segundo a família, frequentemente ela apresentava hematomas pelo corpo, como se fosse vítima de agressão. Só que quando a família perguntava, ela desviava o assunto. Era muito discreta e não falava no relacionamento”, confirma Michelle, acrescentando que o namoro com o ex-presidiário não era aprovado pela família de Ivânia.
Ainda conforme a delegada, Fábio foi a primeira testemunha a chegar no local do crime e, num primeiro depoimento, negou que tenha visto o celular da professora no carro. No entanto, os policiais da delegacia descobriram que a esposa do suspeito é ex-aluna de Ivânia e dona do salão de beleza freqüentado por ela. Ao ter o celular encontrado e localizado, Fábio mudou a versão e disse que pegou o aparelho no banco do passageiro. “Ou ele foi esperto na hora em que ele se apropriou do telefone ou ele foi partícipe de alguma forma, ter pego o celular para apagar os dados”, desconfia ela.
Quem executou? – Foi relatado ainda que o crime foi cometido por dois homens em uma moto preta, que chegaram ao colégio por volta das 20h30, carregavam livros para se misturar aos outros alunos e ficaram cerca de uma hora e meia sentados na calçada de uma loja em frente à unidade de ensino. Por volta das 22h, quando a professora entrava no carro, um dos bandidos achegou-se ao lado dela e, após chamá-la pelo nome, acertou-lhe três tiros no pescoço e na cabeça. Ivânia morreu na hora, deixando os alunos e colegas em choque.
A delegada de Campo do Brito afirma que ainda resta saber quem são os dois executores do crime, pois ainda não há uma confirmação clara sobre a real participação de Jackson e de Fábio. “Nós já temos informações sobre os executores, mas não podemos adiantá-las agora, porque senão podemos perdê-los. E a prisão dos executores é muito importante, até mesmo para ratificar o indiciamento dele [Jackson]”, esclareceu. O suspeito, que já respondeu a processos por roubo e receptação, nega o crime e, segundo os policiais, demonstra muito nervosismo desde que foi detido.


