Petrobras vai vender 10 campos terrestres em Sergipe

Gabriel Damásio

 

A Petrobras confirmou na noite desta sexta-feira, em comunicado oficial, que vai colocar à venda os direitos de exploração, desenvolvimento e produção em 10 campos terrestres de petróleo e gás no Estado de Sergipe. A medida faz parte do plano de desinvestimento instituído pela companhia para reduzir custos e dívidas, além de concentrar as atividades em áreas consideradas mais rentáveis, a exemplo da extração de petróleo na camada pré-sal. Ao todo, serão vendidos os ativos de 19 concessões em cinco conjuntos de campos terrestres – os outros nove campos estão nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. Aqui, os 10 campos foram agrupados em três pólos.

O Pólo Sergipe Terra 1, entre as cidades de Brejo Grande (Baixo São Francisco) e Itaporanga D’Ajuda (Sul), reúne as concessões de Aruari, Angelim, Aguilhada, Atalaia Sul, Brejo Grande e Ilha Pequena. Juntas, elas obtiveram em 2016 uma produção média de 128,9 barris de óleo e 6,5 mil metros cúbicos de gás por dia. Já o “volume relevante de reservas” é estimado em 800 mil barris de óleo equivalente, segundo dados do Boletim Anual de Reservas da Petrobras.

Já o Pólo Sergipe Terra 2, entre Carmópolis e Siriri (Vale do Cotinguiba), abrange as concessões de Castanhal, Mato Grosso e Siririzinho. No ano passado, os campos forneceram uma média diária de 5.682 barris de óleo e 36,9 mil metros cúbicos de gás. E o volume de reservas, segundo a Petrobras, é estimado em 83,8 milhões de barris de óleo equivalente. O último pólo a ser vendido é o Sergipe Terra 3, composto exclusivamente pelo campo de Riachuelo, em Riachuelo (Vale do Cotinguiba). Sua produção média por dia em 2016 foi de 2.616 barris de óleo e 2,5 mil metros cúbicos de gás, com reservas estimadas de 19 milhões de barris de óleo equivalente.

A produção das três áreas é considerada “robusta com forte geração de caixa”. Segundo o edital de apresentação dos campos aos investidores, os pólos Terra 1 e Terra 2 têm capacidade de autonomia em seus processos de operação e escoamento dos produtos extraídos, remetidos em geral para o Tecarmo, em Aracaju. “As concessões se complementam, possuem estrutura de produção e escoamento semelhantes e apresentam sinergias operacionais que justificam a sua conformação em um pólo de produção”, diz o documento. Já o campo de Riachuelo “possui sistema de produção e tratamento de óleo exclusivo, que justifica a sua conformação em um pólo de produção”.

Todos os campos postos à venda em Sergipe são operados pela Petrobras, que detêm 100% das concessões. Além de conseguir os direitos de exploração e produção dos campos, os interessados nos ativos também podem firmar contratos de compra e venda de óleo com a Petrobras, além de terceirizar a prestação de determinados serviços. As empresas interessadas têm até às 23h59 do dia 10 de outubro para se inscrever no processo, que é organizado pelo Banco Itaú BBA. Só podem participar as empresas operadoras de campos terrestres no exterior e enquadradas na categoria C da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O valor de mercado de cada campo não foi divulgado, mas a estimativa da Petrobras é arrecadar US$ 21 bilhões nos próximos dois anos com a venda de ativos e outros itens do programa de desinvestimento. O comunicado esclarece que esta estratégia “foi revisada e aprovada pela Diretoria Executiva da companhia e está alinhada às orientações do Tribunal de Contas da União (TCU)”.

 

Licitação – O anúncio da venda de ativos dos campos terrestres da Petrobras aconteceu a poucos dias da 14ª Rodada de Licitações da ANP, marcada para acontecer nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro, e que oferecerá 11 blocos na parte marítima da Bacia Sergipe-Alagoas, sendo quais seis estão localizados no litoral sergipano. Além dos blocos em águas profundas, também estão em oferta 46 na porção terrestre da bacia – 36 em Sergipe. Estes blocos abrangem os municípios de Areia Branca, Barra dos Coqueiros, Capela, Carmópolis, Divina Pastora, General Maynard, Japaratuba, Laranjeiras, Malhador, Maruim, Nossa Senhora Das Dores, Nossa Senhora Do Socorro, Pirambu, Riachuelo e Rosário do Catete.

A parte terrestre da Bacia Sergipe-Alagoas é classificada como madura, ou seja, já foi densamente explorada e oferece oportunidades para as empresas de pequeno e médio porte nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural. A porção marítima da Bacia Sergipe-Alagoas possui potencial para descobertas de óleo leve e condensado semelhantes às descobertas realizadas nos últimos anos na bacia.

Sergipe tem hoje 21 campos produtores e eles estão em atividade desde 1963, quando começou a exploração do campo de Carmópolis, que é o mais antigo do país e responde atualmente por 44% da produção total do Estado. Recentemente, a estatal anunciou um investimento de R$ 600 milhões em um plano de revitalização do campo, que consiste no tratamento e reinjeção da água extraída dos poços junto com o petróleo, a fim de extrair o produto que ainda está acumulado.

 

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