Professores de Aracaju retornam ao trabalho

Milton Alves Júnior

 

Depois de enfrentar um mês de greve geral, professores da rede municipal de ensino decidiram reiniciar as aulas mesmo sem conseguir atingir a meta da categoria. A decisão foi deflagrada na manhã de ontem durante assembleia extraordinária promovida na sede do Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju (Sindipema), que lamenta a não concessão do reajuste do piso nacional, mas promete seguir promovendo pressões democráticas contra o prefeito Edvaldo Nogueira. A principal causa da greve era, de fato, o não reajuste salarial de 7,64% determinado pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Educação (MEC), em janeiro deste ano.

Ao longo dos últimos 30 dias, enquanto a classe trabalhadora tentava conquistar êxito nas reivindicações, em contraponto a Prefeitura de Aracaju alegava que não seria possível assumir um pagamento a qual a administração possui plena convicção que não seria possível honrar. De acordo com a contabilidade da Secretaria Municipal de Educação, a pasta trabalha, em 2017, com um passivo de cerca de R$42 milhões e com um orçamento R$30 milhões menor que o de 2016. Nesse sentido, a PMA alega que seria uma irresponsabilidade dizer que possui condição de pagar o reajuste e depois voltar a atrasar salário por não ter condição de honrar.

Para o presidente Adelmo Menezes, o retorno dos professores as salas de aula não quer dizer que a categoria se rendeu às rejeições apresentadas pelo chefe do poder executivo municipal. Ao decorrer das próximas semanas a direção sindical estará se reunindo a fim de debater medidas paliativas que possam contribuir para o alcance dos pleitos, sem prejudicar diretamente a evolução educacional dos mais de 30 mil estudantes, entre crianças e adolescentes. Questionado quanto às negociações junto aos gestores públicos, o professor declarou seguir à disposição desde que sejam convidados para debater o respeito aos direitos trabalhistas dos educadores.

"Estamos reiniciando as atividades neste segundo semestre de 2017, mas já com a promessa de seguir reforçando o que é nosso de direito. Infelizmente essa desculpa de que a prefeitura não possui condições não ameniza a insatisfação de cada nobre profissional da educação pública. O piso é lei e ele deve ser devidamente cumprido. Se for para conversar nesse sentido estamos à disposição da prefeitura; caso contrário é melhor nem chamar", avisou. Conforme previsto na assembleia, as aulas serão reiniciadas a partir das 7h da próxima segunda-feira, 02 de outubro.

Compartilhe esta notícia