Gabriel Damásio
Continua a troca de acusações entre a Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) e o Hospital de Cirurgia, que suspendeu, há 20 dias, as cirurgias, internações e outros serviços prestados aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Ontem, a direção da Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC), entidade mantenedora do hospital, convocou uma entrevista coletiva e reafirmou que o Município não está pagando os repasses do contrato de co-financiamento. O caso pode resultar em um pedido de bloqueio das contas da PMA, que será pedido à Justiça nos próximos dias por promotores do Ministério Público Estadual.
Segundo o presidente da fundação, Milton Santana, o total devido pela PMA ao hospital chega a R$ 20 milhões, sendo R$ 12 milhões em dívidas que foram contestadas na Justiça, R$ 2,6 milhões em serviços administrativos atrasados e R$ 5 milhões em Contratos de Ação Pública (CAPs), descontados dos repasses estaduais. Ele também rebateu as alegações da secretária municipal de Saúde, Waneska Barbosa, que afirma já ter pago R$ 45 milhões à unidade neste ano e que esta teria um ‘crédito’ de R$ 4 milhões com o Município, devido a um adiantamento de repasses feito pela gestão João Alves Filho, ao final do ano passado. “Eu acho que a secretária tenta confundir a opinião publica. Ao invés de ela falar que já pagou R$ 45 milhões, ela devia dizer que o nosso contrato é de R$ 63 milhões”, disparou.
O Cirurgia argumenta ainda que o atraso nos repasses provocou a paralisação de parte de suas atividades e criou um risco muito alto aos pacientes que lá estão internados e também aos que estão em outros hospitais, aguardando cirurgias. “Há um mês que a gente está parado e sem operar ninguém. Tem mais de 30 pacientes no Huse [Hospital de Urgência de Sergipe] aguardando neurocirurgia. Essa fila aumenta na proporção de um ou dois pacientes por dia e só não tem a manutenção desse aumento nessa proporção porque pacientes morrem aguardando o procedimento”, disse o médico Augusto César Esmeraldo, chefe de residência neurocirúrgica do hospital.
Os diretores da FBHC afirmam que a necessidade imediata é pelo pagamento das parcelas administrativas de R$ 2,6 milhões. Caso contrário, segundo eles, não haverá condições para a retomada das cirurgias em pacientes do SUS encaminhados por outros hospitais da capital e do interior. “Infelizmente, porque não vamos ter dinheiro para comprar medicamentos e materiais. E os anestesiologistas, que estamos sem pagar, não vão voltar a trabalhar sem receber os seus respectivos salários”, alega Santana.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) disse que os valores informados pelo Hospital de Cirurgia “são incompatíveis com a realidade dos fatos” e que os valores referentes a processos judiciais não finalizados “não podem ser considerados válidos, uma vez que nem mesmo a Justiça chegou a uma conclusão sobre tais casos”. A repartição ainda manteve as afirmações feitas pela secretária Waneska Barboza na sexta-feira passada, em entrevista coletiva, sobre o ‘crédito’ devido pelo Cirurgia ao Município.


