Ana Alves é presa acusada de obstruir operação que apura fraudes na PMA

Gabriel Damásio

 

A jornalista Ana do Nascimento Alves, presidente do diretório estadual do Democratas (DEM) em Sergipe, foi presa por volta das 11h30 de ontem, ao se apresentar para prestar depoimento na sede do Ministério Público Estadual (MPE), no Capucho (zona oeste). A ordem de prisão preventiva contra ela foi expedida pelo juízo da 2ª Vara Criminal de Aracaju e cumprida pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), ligado ao MPE. Os promotores do grupo contaram com o apoio de policiais civis do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap). Também na manhã de ontem, eles cumpriram um mandado de busca e apreensão na sede do Diretório Regional do DEM, no bairro 13 de Julho (zona sul).

As equipes permaneceram no local por cerca de duas horas e saíram de lá levando vários documentos e computadores apreendidos. De acordo com o promotor Jarbas Adelino Santos Júnior, do Gaeco, todo o material será analisado dentro da investigação. Abordado por jornalistas, ele disse que a apuração corre sob sigilo e não quis dar detalhes, mas confirmou que ela se refere a suspeitas de desvios de recursos públicos. Em nota, o MPE confirmou que Ana Alves é investigada por participação em crimes de peculato, formação de organização criminosa e obstrução de investigação.

Os mandados judiciais foram um desdobramento da ‘Operação Caça-Fantasma’, deflagrada no começo deste ano a partir de informações descobertas na ‘Operação Anti-Desmonte’. Esta, por sua vez, investiga denúncias de fraudes, desvios de dinheiro público e outras irregularidades em prefeituras de Aracaju e do interior do Estado, tendo sido deflagrada pelo MPE, pelo Deotap  e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) no final de 2016, quando o ex-governador João Alves Filho, pai de Ana Alves, deixou seu mandato na Prefeitura de Aracaju. Segundo o Ministério Público, existem suspeitas e indícios de que ela praticou atos graves para tentar induzir declarações e depoimentos de investigados e testemunhas no curso das investigações da ‘Caça-Fantasma’. E estas suspeitas motivaram o pedido de prisão à 2ª Vara Criminal. 

No começo da tarde desta sexta-feira, após ser detida no MPE, Ana Alves passou por exame de corpo delito no Instituto Médico-Legal (IML) e foi transferida para o Presídio Feminino, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Segundo a Secretaria Estadual de Justiça (Sejuc), ela se mostrou educada com os funcionários do presídio, vestiu um uniforme obrigatório e divide uma cela outras três presidiárias com nível superior. A capacidade dela é para seis presas. Familiares da presidente estiveram no presídio ao começo da noite para levar roupas e remédios. A defesa dela será assumida pelo criminalista Evânio Moura, que só deve se manifestar sobre o assunto nesta segunda-feira.

Esta não foi a primeira prisão na família de João Alves e sua esposa, a atual senadora Maria do Carmo Alves (DEM). Em abril de 2007, o empresário João Alves Neto, irmão de Ana, ficou preso por uma semana e foi processado por envolvimento com os crimes de corrupção investigados pela ‘Operação Navalha’, da Polícia Federal. Em decisão recente, ele foi condenado a 17 anos e dois meses de prisão, mas recorreu da sentença.

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