A Secretaria Estadual de Saúde (SES) abriu uma sindicância interna para apurar as circunstâncias da morte do motoboy Cleilton Feitosa Godoy, 34 anos, que aconteceu na manhã desta segunda-feira, dentro de uma das recepções do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). O episódio ganhou repercussão com a divulgação de vídeos que mostram Godoy se contorcendo nos bancos da recepção e pedindo ajuda, reclamando de falta de ar e dores muito fortes no peito. A família dele afirma que houve negligência dos funcionários e médicos do Huse, os quais teriam demorado a prestar atendimento.
A direção do Huseinformou que Cleilton chegou ao local às 8h50 e foi atendido 15 minutos depois, quando passou pela avaliação médico. Em seguida, o paciente foi mandado à recepção para aguardar a aplicação do medicamento prescrito. No entanto, segundo a esposa Edilene Silva, ele teria esperado pela medicação durante quase quatro horas e, nesse ponto, o estado se agravou, principalmente depois que uma enfermeira aplicou uma injeção de morfina. A gravação mostra o momento em que Godoy, já suado e sem camisa, anda de um lado para o outro, deita-se nos bancos, se contorce e grita pedindo ajuda. “Ooooi, meu Deus do céu! Alguém aqui me ajude. Eu tô morrendo aqui de dor. Não aguento mais não. Eu tô suando, tô morrendo!”, exclama o paciente. Minutos depois da gravação, ele faleceu.
As queixas iniciais, de acordo com Edilene, foram de dores leves no peito, cansaço e suor intenso. Segundo ela, o marido estava conversando normalmente e tinha melhorado depois de tomar um soro, mas começou a sofrer o infarto depois que uma enfermeira teria aplicado a morfina diretamente na veia. Ela ainda garantiu que Cleilton não ingeriu nenhuma bebida alcóolica ou qualquer outra substância. “Eu acho que se ele fosse atendido, ele não tinha falecido não. Ele estava aqui neste momento comigo e com os filhos dele. Eu sei que não vai trazer ele de volta, mas quero justiça”, lamentou a viúva, que tinha cinco filhos com o motoboy.
O superintendente do Huse e secretário-adjunto da SES, Luiz Eduardo Correia, disse que Cleilton foi inicialmente avaliado como um caso não-grave, pois as dores no tórax eram leves e ele conseguia se manter consciente, mas toda a equipe de plantão foi acionada assim que o quadro dele e agravou. Ainda segundo ele, a morte não foi causada pela aplicação da morfina. “Os medicamentos que ele tomou são protocolos para dor torácica, entre eles a morfina, ou seja, ele não passou mal por causa dos medicamentos que tomou. O agravamento do quadro dele pode ter sido culminado com uma história que está no prontuário, citada pelo próprio paciente e que não posso comentar em respeito ao sigilo médico”, disse.
Ainda de acordo com Correia, a sindicância no Huse foi aberta ontem mesmo e será acompanhada pelo Conselho Regional de Medicina de Sergipe (Cremese), para onde foram encaminhadas cópias dos prontuários de atendimento. A médica que estava responsável pelo plantão no Pronto Socorro do Huse naquela manhã foi afastada de suas funções e terá um prazo para apresentar sua defesa. “Ninguém vai fazer julgamento prévio, estamos fazendo isso para tirar qualquer dúvida que possa haver em relação ao atendimento desse paciente”, afirmou o adjunto, negando ter havido qualquer tipo de negligência no episódio.


