Assassinato de líder do SOS Emprego na Barra pode ter sido encomendado

Gabriel Damásio

 

A polícia ainda não sabe quem são os autores do assassinato do ativista Clodoaldo Santos de Melo, o ‘Barriga’, 41 anos, um dos líderes do Movimento SOS Emprego, que reivindica a contratação de mão-de-obra local em grandes empreendimentos e empresas instaladas no Estado, como a Petrobras e a Usina Termoelétrica Porto de Sergipe. Clodoaldo foi assassinado na tarde de anteontem em sua residência, no povoado Capuã, Barra dos Coqueiros (Grande Aracaju). O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que começa a ouvir parentes da vítima e testemunhas do crime a partir desta segunda-feira.

De acordo com o relato dos familiares, Clodoaldo estava dormindo e foi acordado por dois homens que o chamaram fora da casa, dizendo que tinham um currículo para lhe entregar. O líder saiu à porta e chegou a dizer que só recebia os currículos na sede do movimento. Antes que ele entrasse na casa, os dois bandidos sacaram as armas e dispararam vários tiros, fugindo em seguida. Alguns dos disparos acertaram as costas e a cabeça de Clodoaldo, matando-o na hora. Equipes do DHPP e da Polícia Militar estiveram no local e levantaram as primeiras informações do caso, junto com os peritos do Instituto Médico-Legal (IML).

O fato de nada ter sido levado da vítima, bem como a forma como se deu o ataque dos assassinos, indicam quea morte do líder pode ter sido uma execução encomendada. É o que acreditam alguns parentes, que negaram qualquer relação de Clodoaldo com desavenças ou inimizades, mas relataram ter visto carros suspeitos circulando próximos à sua residência. “Tem que se investigar a fundo isso aí. A quem interessa ter matado uma liderança? É quem estava bastante incomodado com a luta dos trabalhadores”, disse a representante da central sindical CSP-Conlutas, Gilvani Alves dos Santos, durante o velório do ativista. O corpo foi sepultado ontem à tarde no Cemitério Municipal da Barra dos Coqueiros, com a presença de caravanas de manifestantes ligados ao ‘SOS Emprego’.

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