Pela segunda vez em menos de 20 dias, médicos cirurgiões plásticos que trabalham no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), paralisaram as atividades como forma de pressionar a Secretaria de Estado da Saúde para promover a isonomia salarial com cirurgiões gerais. Assim como ocorreu no último dia 06, desde a manhã de ontem a marcação de novas consultas, internações e ambulatório estavam suspensas, e, somente as 7h de hoje, o atendimento destinado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) será devidamente reestabelecido. O ato público realizado na manhã de ontem foi coordenado pelo Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed).
De acordo com Carlos Spina, presidente sindical, a classe trabalhadora optou por promover uma mobilização nas dependências do Huse, mesmo diante da perspectiva de representantes da categoria serem recebidos na próxima sexta-feira, 26, por Almeida Lima, atual secretário estadual de saúde. Com programações paralelas, os profissionais destacaram que, independentemente de o Governo do Estado mostrar interesse em atender ao pleito, é de fundamental importância estratégica manter a promoção dos atos democráticos. Uma nova rodada de mobilizações pode ser definida já no início da próxima semana; a deflagração dos atos dependerá, exclusivamente, do teor da conversa entre gestão e servidor público.
"A partir do momento em que o secretário se dispõe a nos receber e dialogar sobre as nossas reivindicações, já percebemos um ponto positivo. Como já passamos por situações no mínimo semelhantes em um passado não muito longe, esperamos apenas que o secretário possua uma forma de aplicar a equiparação salarial, e não nos convide apenas para dizer que não tem como atender o pleito neste momento", declarou. A direção do Sindimed informou que no momento não existe perspectiva unificada, ou conversas administrativas a fim de levar a votação um plano de greve por tempo indeterminado, mas também não descartou essa possibilidade.
Para Spina, a cultura funcional do Sindicato dos Médicos de Sergipe mostra que a categoria busca solucionar os impasses com dinamismo e boa relação junto às partes envolvidas no processo. A suspensão de 70% dos serviços sem prazo para normalização se trata de uma medida apontada como último recurso. "Buscamos dialogar com os gestores, contextualizar com bom embasamento o direito constitucional do cidadão trabalhador, para, em último caso, debater a possibilidade de greve. Seguimos lutando por este direito; se lá na frente observarmos que não existe alternativa a não ser deflagrar greve, assim agiremos junto com os colegas médicos em assembleia extraordinária", pontuou. (Milton Alves Júnior)


