Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Não li ainda, mas já
gostei. Embora não
tenha em mãos o livro do amigo Thiago Paulino, jornalista profissional, um doutor avesso ao falatório vazio da Academia, afirmo sem medo de errar: trata-se de um documento valioso, capaz de restaurar a seriedade subtraída a um debate o mais necessário, interditado por interesses de muitos milhões em moeda corrente.
Fala-se aqui, melhor dizer de uma vez por todas, da degeneração de Cultura em mercado, com o controverso patrocínio do dinheiro público. ‘Palco de Disputas e Disputas pelo Palco no País do Forró’, o título adianta, se atém aos grandes eventos realizados sob o pretexto dos festejos juninos em Sergipe. E, sendo assim, tem o potencial de futucar as feridas de muita gente graúda, como só o bom jornalismo faz.
Esta, ao menos, é a minha expectativa, amparada numa brevíssima convivência, quando integramos os dois a redação da TV Aperipê. Thiago se mostrou, então, um profissional diligente, atento à função social tantas vezes desprezada no exercício do ofício. O próprio tema eleito para a sua pesquisa de doutorado em sociologia, base da publicação, atesta a sua cepa, a matéria da pena empenhada em tão delicada tarefa. Sem rabo preso. Só quem não compactua com os podres poderes nos serões da província conhece o preço cobrado por um mínimo de ética e independência num meio tão caduco.
Segundo Paulino, o livro pega o fio da meada, atento aos laços de uma história já muito antiga, para fazer uma pergunta que não quer calar.
"Este é um livro sobre o forró. Entendemos o forró aqui como dança, ritmos (xote, baião, arrasta-pé) e estilos (forró eletrônico, forró pé de serra, universitário). Uma bela colcha de retalhos costuradas por muitas mãos ao longo do tempo. Mãos de compositores, músicos, produtores, empresários, comunicadores. A musicalidade do forró também ajudou a atribuir sentidos para o nordeste e enriquecer o patrimônio cultural brasileiro. Mas até que ponto o forró tradicional com suas histórias consegue espaço para subir aos palcos financiados pelo dinheiro público e se mostrar ao povo nas festas juninas?".
O leitor habitual deste diário talvez estranhe o tom complacente destas linhas, que chegam ao cúmulo de opinar, esbanjando adjetivos, sobre um livro que o jornalista confessa não ter lido ainda, fiado em diz que me disse. Mas é assim mesmo. A bem da verdade, a ousadia de Paulino me torna menos solitário. Saber desse livro lavou a minha alma, vocês vão ter que me desculpar.
Não li ainda, mas já gostei. Embora não tenha em mãos o livro do amigo Thiago Paulino, jornalista profissional, um doutor avesso ao falatório vazio da Academia, afirmo sem medo de errar: trata-se de um documento valioso, capaz de restaurar a seriedade subtraída a um debate o mais necessário, interditado por interesses de muitos milhões em moeda corrente.
Fala-se aqui, melhor dizer de uma vez por todas, da degeneração de Cultura em mercado, com o controverso patrocínio do dinheiro público. ‘Palco de Disputas e Disputas pelo Palco no País do Forró’, o título adianta, se atém aos grandes eventos realizados sob o pretexto dos festejos juninos em Sergipe. E, sendo assim, tem o potencial de futucar as feridas de muita gente graúda, como só o bom jornalismo faz.
Esta, ao menos, é a minha expectativa, amparada numa brevíssima convivência, quando integramos os dois a redação da TV Aperipê. Thiago se mostrou, então, um profissional diligente, atento à função social tantas vezes desprezada no exercício do ofício. O próprio tema eleito para a sua pesquisa de doutorado em sociologia, base da publicação, atesta a sua cepa, a matéria da pena empenhada em tão delicada tarefa. Sem rabo preso. Só quem não compactua com os podres poderes nos serões da província conhece o preço cobrado por um mínimo de ética e independência num meio tão caduco.
Segundo Paulino, o livro pega o fio da meada, atento aos laços de uma história já muito antiga, para fazer uma pergunta que não quer calar.
"Este é um livro sobre o forró. Entendemos o forró aqui como dança, ritmos (xote, baião, arrasta-pé) e estilos (forró eletrônico, forró pé de serra, universitário). Uma bela colcha de retalhos costuradas por muitas mãos ao longo do tempo. Mãos de compositores, músicos, produtores, empresários, comunicadores. A musicalidade do forró também ajudou a atribuir sentidos para o nordeste e enriquecer o patrimônio cultural brasileiro. Mas até que ponto o forró tradicional com suas histórias consegue espaço para subir aos palcos financiados pelo dinheiro público e se mostrar ao povo nas festas juninas?".
O leitor habitual deste diário talvez estranhe o tom complacente destas linhas, que chegam ao cúmulo de opinar, esbanjando adjetivos, sobre um livro que o jornalista confessa não ter lido ainda, fiado em diz que me disse. Mas é assim mesmo. A bem da verdade, a ousadia de Paulino me torna menos solitário. Saber desse livro lavou a minha alma, vocês vão ter que me desculpar.