Gabriel Damásio
As suspeitas e ques-
tionamentos sobre
o Hospital de Cirurgia chegaram à esfera criminal. O Ministério Público Estadual e a Polícia Civil fizeram ontem a ‘Operação Metástase’, que cumpriu 11 mandados de busca e apreensão expedidos pelo juízo da 2ª Vara Criminal de Aracaju. As buscas aconteceram ao início da manhã na sede administrativa do Cirurgia, no próprio hospital e em outros endereços de Aracaju e de Nossa Senhora das Dores (Médio Sertão). Segundo o MP, a ação colheu provas para investigar denúncias de supostas práticas ilícitas com o patrimônio da Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC), principal hospital filantrópico que atende ao SUS em Sergipe.
Equipes do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), acompanhados por soldados do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar (COE), chegaram ao hospital pouco antes das 7h e entraram nos escritórios das diretorias e na área administrativa, onde recolheram centenas de documentos e computadores. O material precisou ser levado em duas caminhonetes dos órgãos. Um cofre existente em uma das salas foi arrombado pelos policiais, pois a chave dele não foi encontrada. Apesar da presença de policiais armados, as buscas da operação não afetaram o funcionamento do hospital. outras equipes também recolheram materiais no prédio da Escola Profissionalizante de Saúde Doutor Augusto Leite (EPSAL), ligada à FBHC, onde estão os arquivos da instituição.
Apartamentos ligados a diretores e funcionários do Cirurgia também visitados pelos policiais. Um dos alvos foi o médico Gilberto dos Santos, ex-presidente da FBHC e da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS). Os policiais estiveram na casa dele em Nossa Senhora das Dores e no apartamento onde ele morava, no bairro 13 de Julho (zona sul de Aracaju). Em entrevista à rádio Fan FM, Gilberto disse que "não tem nada a esconder" e que está "pronto para colaborar com as investigações".
O atual presidente da fundação, Milton de Souza Santana, e um dos filhos dele, André Ricardo Santos de Santana, que trabalha no setor administrativo, foram presos em flagrante com armas e munições achadas nas casas deles. O JORNAL DO DIA apurou que, apenas na residência do presidente, foram apreendidas uma pistola calibre 380, uma pistola calibre 6.35, 13 munições de pistola, sete munições calibre 38 com ponta oca e uma bala de fuzil calibre 7 milímetros. A defesa alega que eles têm porte de arma legalizado, mas os documentos estavam vencidos. Dinheiro e outros documentos também foram recolhidos nas residências.
À tarde, ao serem apresentados em audiência de custódia, o juiz plantonista Sérgio Fortuna Mendonça impôs o pagamento de uma fiança e autorizou que os acusados respondam ao processo em liberdade. Milton Santana pagou R$ 14.310 de fiança, enquanto André Ricardo pagou R$ 19 mil. Ambos ainda terão que se apresentar à Justiça periodicamente e estão proibidos de deixar a comarca sem autorização. No final da tarde, eles deixaram a delegacia onde estavam detidos.
Os promotores e delegados que atuaram na ‘Metástase’ não falaram com os jornalistas durante as buscas. As investigações estão em sigilo, mas de acordo com o Ministério Público de Sergipe, elas se referem a problemas no serviço de oncologia do hospital, cujos serviços foram apontados como precários em um relatório técnico feito pela Controladoria Geral da União (CGU) e pelos Tribunais de Contas do Estado (TCE) e da União (TCU). Esta também é a referência usada para o nome da operação, que significa a disseminação da célula cancerígena, quando ela sai do local de origem e vai para outro órgão pelo sangue ou pela linfa.
O funcionamento do Cirurgia vem sendo alvo de reclamações há alguns anos, por causa da paralisação de serviços como oncologia, cardiologia e ortopedia. No tratamento contra o câncer, uma das principais questões é i mau funcionamento do aparelho de radioterapia, que apresenta defeitos constantes. Estes problemas também são apurados em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Aracaju (CMA). Na segunda-feira, antes da ‘Operação Metástase’, vereadores da CPI fizeram mais uma visita-surpresa ao Cirurgia e cobraram o retorno do serviço de cardiologia, que está parado para reformas há mais de um mês e teve as cirurgias cardíacas eletivas suspensas. A promessa da direção é de que a obra deve ser finalizada na próxima semana, fazendo com que pelo menos 40 cirurgias cardíacas sejam feitas por mês para atender a demanda reprimida.
No começo da noite, a assessoria de comunicação do Hospital de Cirurgia informou que não houve nenhuma irregularidade em relação à instituição, e que os contratos investigados pelo Ministério Público dizem respeito a outras administrações da FBHC. Ela diz ainda que a condução do diretor presidente Milton Santana para prestar depoimento "ocorreu por motivos de razão pessoal e não diz respeito a nenhum procedimento administrativo envolvendo a Instituição, tendo apenas ligação com sua vida privada".
As suspeitas e ques- tionamentos sobre o Hospital de Cirurgia chegaram à esfera criminal. O Ministério Público Estadual e a Polícia Civil fizeram ontem a ‘Operação Metástase’, que cumpriu 11 mandados de busca e apreensão expedidos pelo juízo da 2ª Vara Criminal de Aracaju. As buscas aconteceram ao início da manhã na sede administrativa do Cirurgia, no próprio hospital e em outros endereços de Aracaju e de Nossa Senhora das Dores (Médio Sertão). Segundo o MP, a ação colheu provas para investigar denúncias de supostas práticas ilícitas com o patrimônio da Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC), principal hospital filantrópico que atende ao SUS em Sergipe.
Equipes do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), acompanhados por soldados do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar (COE), chegaram ao hospital pouco antes das 7h e entraram nos escritórios das diretorias e na área administrativa, onde recolheram centenas de documentos e computadores. O material precisou ser levado em duas caminhonetes dos órgãos. Um cofre existente em uma das salas foi arrombado pelos policiais, pois a chave dele não foi encontrada. Apesar da presença de policiais armados, as buscas da operação não afetaram o funcionamento do hospital. outras equipes também recolheram materiais no prédio da Escola Profissionalizante de Saúde Doutor Augusto Leite (EPSAL), ligada à FBHC, onde estão os arquivos da instituição.
Apartamentos ligados a diretores e funcionários do Cirurgia também visitados pelos policiais. Um dos alvos foi o médico Gilberto dos Santos, ex-presidente da FBHC e da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS). Os policiais estiveram na casa dele em Nossa Senhora das Dores e no apartamento onde ele morava, no bairro 13 de Julho (zona sul de Aracaju). Em entrevista à rádio Fan FM, Gilberto disse que "não tem nada a esconder" e que está "pronto para colaborar com as investigações".
O atual presidente da fundação, Milton de Souza Santana, e um dos filhos dele, André Ricardo Santos de Santana, que trabalha no setor administrativo, foram presos em flagrante com armas e munições achadas nas casas deles. O JORNAL DO DIA apurou que, apenas na residência do presidente, foram apreendidas uma pistola calibre 380, uma pistola calibre 6.35, 13 munições de pistola, sete munições calibre 38 com ponta oca e uma bala de fuzil calibre 7 milímetros. A defesa alega que eles têm porte de arma legalizado, mas os documentos estavam vencidos. Dinheiro e outros documentos também foram recolhidos nas residências.
À tarde, ao serem apresentados em audiência de custódia, o juiz plantonista Sérgio Fortuna Mendonça impôs o pagamento de uma fiança e autorizou que os acusados respondam ao processo em liberdade. Milton Santana pagou R$ 14.310 de fiança, enquanto André Ricardo pagou R$ 19 mil. Ambos ainda terão que se apresentar à Justiça periodicamente e estão proibidos de deixar a comarca sem autorização. No final da tarde, eles deixaram a delegacia onde estavam detidos.
Os promotores e delegados que atuaram na ‘Metástase’ não falaram com os jornalistas durante as buscas. As investigações estão em sigilo, mas de acordo com o Ministério Público de Sergipe, elas se referem a problemas no serviço de oncologia do hospital, cujos serviços foram apontados como precários em um relatório técnico feito pela Controladoria Geral da União (CGU) e pelos Tribunais de Contas do Estado (TCE) e da União (TCU). Esta também é a referência usada para o nome da operação, que significa a disseminação da célula cancerígena, quando ela sai do local de origem e vai para outro órgão pelo sangue ou pela linfa.
O funcionamento do Cirurgia vem sendo alvo de reclamações há alguns anos, por causa da paralisação de serviços como oncologia, cardiologia e ortopedia. No tratamento contra o câncer, uma das principais questões é i mau funcionamento do aparelho de radioterapia, que apresenta defeitos constantes. Estes problemas também são apurados em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Aracaju (CMA). Na segunda-feira, antes da ‘Operação Metástase’, vereadores da CPI fizeram mais uma visita-surpresa ao Cirurgia e cobraram o retorno do serviço de cardiologia, que está parado para reformas há mais de um mês e teve as cirurgias cardíacas eletivas suspensas. A promessa da direção é de que a obra deve ser finalizada na próxima semana, fazendo com que pelo menos 40 cirurgias cardíacas sejam feitas por mês para atender a demanda reprimida.
No começo da noite, a assessoria de comunicação do Hospital de Cirurgia informou que não houve nenhuma irregularidade em relação à instituição, e que os contratos investigados pelo Ministério Público dizem respeito a outras administrações da FBHC. Ela diz ainda que a condução do diretor presidente Milton Santana para prestar depoimento "ocorreu por motivos de razão pessoal e não diz respeito a nenhum procedimento administrativo envolvendo a Instituição, tendo apenas ligação com sua vida privada".