Jovens quilombolas de municípios do Baixo São Francisco em Sergipe, que sempre foram exemplo de luta pela retomada das terras de seus ancestrais, estão recebendo em seu território o "I Intercâmbio em Ecogastronomia Slow Food para os jovens dos projetos FIDA no Brasil". O encontro está sendo realizado desde a terça-feira, 24, no povoado Santa Cruz, em Brejo Grande, e tem encerramento prático na cozinha do SENAC, nesta sexta-feira, 27, em Aracaju.
O evento foi construído em parceria entre o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Governo do Estado de Sergipe, Semear Internacional e Movimento Slow Food, com a proposta de trazer para os jovens rurais o conceito inovador da ecogastronomia. A realização tem caráter de capacitação e traz a abordagem de que o alimento deve ser "bom" em relação ao sabor, "limpo" no aspecto ecológico e de bem estar e "justo" em respeito aos agricultores e seu conhecimento, à vida no campo e a acessibilidade para o consumidor.
"Estamos em uma região muito rica, com mais de 40 comunidades quilombolas registradas e uma infinidade de alimentos que trazem muito desta metodologia aplicada pelo Slow Food. Estamos aqui para mostrar que o alimento é a expressão de uma cultura, de uma produção agrícola, da identidade de um povo", disse a coordenadora do Slow Food Nordeste, Revecca Tapie. Participam do intercâmbio 25 jovens de comunidades rurais atendidas por projetos apoiados pelo FIDA nos estados do Piauí (Projeto Viva o Semiárido); Bahia (Projeto Pró Semiárido); Paraíba (Projeto Procase); Sergipe (Projeto Dom Távora); e Ceará (Projeto Paulo Freire).


