Milton Alves Júnior
Com um recolhimento semanal de 190 toneladas somente em Aracaju, a administração da capital, por meio da Diretoria de Operações da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), busca alternativas emergenciais para a realização do descarte coerente do casco de coco verde. Com, ao menos, 87 pontos de venda de coco, o acumulo desse material orgânico tem contribuído para dificultar o trabalho de recolhimento de lixo doméstico em todos os bairros aracajuanos. Ainda segundo dados apresentados pela Emsurb como alarmantes, desse total, ao menos 30 pontos são identificados como de grandes geradores, ou seja, que produzem um volume que excede o peso fixado para a coleta regular, até 200 kg diários ou 400 kg em dias alternados.
Enaltecidos pela Prefeitura de Aracaju, esses números foram oficialmente apresentados à sociedade sergipana durante a Oficina Resíduo do Coco – de Problema Ambiental a Oportunidade de Negócios, promovida pela Associação de Engenheiros Agrônomos de Sergipe (Aease), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) -Tabuleiros Costeiros. Apesar da problemática operacional sentida pela equipe diretiva da Emsurb, os grupos empresarias financeiros alegam que o movimento econômico nesse setor tem registrado aumento significativo de 15% se comparado com o final da primeira metade dessa década. Em contraponto, a empresa municipal alega que esse recolhimento onera aos cofres públicos 900 mil reais por ano.
Para o presidente da Emsurb, Luiz Roberto Dantas, apesar do movimento econômico considerado positivo para centenas de produtores do fruto, revendedores e comerciantes de vasilhames, é preciso que se estude de imediato uma maneira para minimizar os efeitos negativos – no quesito operacional – que esse tipo de comércio tem gerado ao poder público. "Estamos preocupados em virtude dessa modalidade comercial estar exigindoo do setor operacional de coleta uma ação extra para deixar a cidade limpa e organizada. Este montante acaba prejudicando a coleta domiciliar, além de onerar os custos com a limpeza pública em cerca de 900 mil reais por ano, o mesmo quantitativo gasto para outros serviços realizados pela Emsurb, como a limpeza dos canais", relatou.
Reconhecimento – Entre os vendedores existe o consenso da ação necessária da prefeitura em se fazer presente de segunda à sábado para recolher as cascas dos cocos. Para o micro empresário Ikaro Barbosa dos Santos, esse tipo de insatisfação por parte da gestão pública vem sendo demonstrada pelos agentes de limpeza e coordenadores desde o primeiro semestre deste ano. "A quantidade [de casca] realmente é grande e quando passam dois dias sem recolher fica difícil de trabalhar. Tem locais que não dá nem para passar pela calçada porque o acúmulo acaba invadindo a rua. É preciso definir uma tarifa, mas que não seja abusiva. Se for alta, a venda ficará inviável; o consumidor não vai querer pagar tão caro pelo litro da água de coco", contrapôs.
Este assunto tem sido acompanhado pelo Ministério Público Estadual (MPE). Ainda segundo dados da Empresa Municipal de Serviços Urbanos, os bairros que apresentaram maior concentração de locais de venda do produto foram Atalaia, Aeroporto, Coroa do Meio, Centro, Farolândia e região da Zona de Expansão.


