Do alto de uma vivência de 33 anos como aluno, servidor, professor, gestor e vice-reitor, André Maurício Conceição de Souza se apresenta como candidato a reitor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), na qual ingressou em 1986 para fazer a Licenciatura em Física, área na qual é pós-doutor, com especializações na Alemanha e nos Estados Unidos. Em entrevista ao JORNAL DO DIA, André defende o fortalecimento da universidade pública e que essa meta esteja acima da polarização entre esquerda e direita. Aqui, os principais trechos da entrevista:
JORNAL DO DIA – Por que ser candidato a reitor?
André Maurício – Farei 30 anos de funcionário da UFS no dia 5 de dezembro próximo. Durante este tempo venho, além da atuação nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, apresentando grande contribuição na área administrativa. Fui Coordenador de Pesquisa em 1995; Coordenador de Informática em 1996; Coordenador de Cursos entre 1998 e 2001; Diretor de Centro de Ciências Exatas e Tecnologia de 2009 a 2012 e vice-reitor de 2012 a 2016. Acho que neste momento tenho a experiência e as melhores condições para ser Reitor da nossa universidade.
JD – O que o Sr. achou do fato recente em que a professora Iara Campelo deixou a vice-reitoria?
AM – Estamos passando por um grande ataque a universidade pública brasileira. Para mim, ficou claro, a partir da leitura do texto que a professora apresentou a nossa comunidade, que esta atitude extrema foi tomada como um grito de socorro em defesa da universidade. Acho que o gesto da professora Iara foi um dos mais relevantes na história da UFS. Tenho certeza que essa sua atitude de defesa da Universidade Pública e gratuita assumida pala Profª Iara será reconhecida na História da Universidade e da Educação de Sergipe.
JD – O professor Ângelo Antoniolli afirmou que certamente vai construir uma candidatura de centro para a universidade, para protegê-la dos ataques da direita e da esquerda, o que o senhor acha?
AM – Temos mais de mil professores, mais de mil técnicos-administrativos e mais de trinta mil estudantes. Será que apenas uma pessoa é quem deve definir o futuro da nossa? Certamente a resposta é não. Esta posição de classificar os candidatos para reitor de esquerda e direita, e ser necessário um candidato de centro, é uma visão maniqueísta que tem sido utilizada em geral para afastamento de posições de defesa de direitos da comunidade universitária. Somos mais de 30 mil integrantes da UFS. Todos têm capacidade intelectual e política para definir e assumir suas opiniões. Somos uma Universidade. A universidade como princípio de sua existência deve ser guardiã de todas as ideias, de todos os pensamentos e do pleno debate. O que a nossa comunidade quer e precisa, é discutir projetos que viabilizem suas ideias e propósitos que possibilitem a transferência de conhecimento dentro da tríade pesquisa/ensino/extensão. A discussão esquerda/direta numa eleição para reitor, é depreciar o direito da nossa autonomia de pensamento.
JD – Quanto às propostas, o que o senhor pretende fazer a frente da reitoria da UFS?
AM – A UFS precisa de um choque de gestão. Tem que haver modernização que permita melhor qualidade de trabalho/estudos. É inadmissível que ainda tenhamos fila no Resun. É inaceitável termos ainda um controle de patrimônio conferido a mão. Isto já está superado com as várias soluções na área de tecnologia de informação que temos atualmente. Temos também como exemplo, que deve ser superado, a situação em que se observa nas chefias de departamentos, centros, entre outros, de stress devido ao grande volume de trabalho burocrático. Quebra-se uma maçaneta, o chefe abre uma ordem de serviço e não se sabe quando e nem se vai ser consertada. As chefias não têm nenhuma autonomia financeira. Isso é um absurdo. O que a comunidade clama é por soluções simples e imediatas. É o dia a dia que precisamos valorizar. Não é admissível uma didática inteira ficar com todos os banheiros interditados por semanas. A universidade é o local da inovação. A ciência é competitiva e o tempo é crucial para chegarmos primeiro. Vivemos na era digital, da informação chegando quase que instantaneamente em nossas mãos pelos celulares. A UFS possui um Centro de Educação a Distância que precisa dialogar com os cursos presenciais. Temos que quebrar esta distancia literalmente.
JD – E quanto à questão dos servidores e professores aposentados?
AM – A questão dos aposentados, por exemplo, é outra situação muito séria. Um professor ou um técnico se aposenta e no outro dia não tem um lugar na UFS para ficar. No caso do professor tem que ser supervisionado por um colega bem mais novo que agora vira ‘tutor’. Tantos anos de universidade e este é o reconhecimento que damos. Para não dizer que não se faz nada, tem um dia no ano que são homenageados, isto não basta. Vamos criar um centro de estudos avançados em que nossos aposentados terão espaço físico, autonomia e reconhecimento de sua contribuição a UFS. Esses são apenas alguns exemplos do que pretendo realizar. Além de que, a partir do entendimento de que toda gestão deverá ser resultado de uma participação coletiva, ainda não fechamos nossa proposta de trabalho, uma vez que estamos em diálogo permanente com a comunidade universitária. Neste momento, aguardamos o calendário das eleições para que possamos apresentá-las por completo.


