Mais de 300 mil estudantes da rede estadual de ensino ficam, por tempo indeterminado, sem aulas a partir desta manhã em Sergipe. Contrários aos Projetos de Leis Complementares PLC 16, e PLC 17, os quais visam, na prática, retirar direitos historicamente conquistados a exemplo dos triênios e da redução da carga horária por tempo de serviço, a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese), indica que cerca de 10 mil professores passam a aderir ao movimento grevista e cruzam os braços em escolas situadas em Aracaju e nos demais 74 municípios sergipanos. A decisão em suspender as atividades educacionais ocorreu na quinta-feira, 21, durante assembleia geral da categoria realizada na sede do Instituto Histórico de Sergipe.
Ao JORNAL DO DIA, a presidente do Sintese, Ivonete Cruz, informou que ao longo dos últimos meses a categoria vinha pleiteando se reunir com o Governador Belivaldo Chagas para discutir estes assuntos, mas, conforme enaltecido pela sindicalista, as observações apresentadas pelos professores não foram atendidas. Ainda conforme destacado pela cúpula sindical, os assuntos chegaram a ser apresentados, em especial aos gestores da Secretaria de Estado da Educação e Cultura (Seduc), mas a falta de avanços e consecutiva retirada das PLCs da apreciação na Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Alese), contribuiu para que a greve fosse aprovada pela classe trabalhadora. Em números, a perspectiva é que 354 escolas estejam de portões fechados.
Na manhã de hoje, dando início aos atos grevistas, os professores e reúnem em frente à sede da Alese, na região central de Aracaju, com o propósito único de dialogar com os deputados estaduais e buscar o apoio [voto] contrário aos dois projetos desenvolvidos pelo Governo do Estado, e encaminhados à casa legislativa no início da semana passada. "A greve tem tempo determinado, mas para isso acontecer só depende do governo. Pode se encerrar na terça mesmo se o governo retirar de pauta projetos de lei que ele encaminhou a partir da única e exclusiva vontade dele, sem discutir com ninguém, e que retiram direitos dos professores como o plano de carreira e do estatuto da categoria", declarou Ivonete Cruz.
Ainda na quinta-feira, logo após o anúncio oficial de greve, o poder executivo estadual contrapôs aos servidores ligados à Seduc, e informou que nenhum dos projetos há discussão sobre retirada de triênio dos professores ou diminuição de salários dos servidores da educação. Atualmente, basta o professor permanecer em sala de aula pelos últimos três anos da carreira para que possa levar para a aposentadoria gratificações como: dedicação exclusiva, regência de classe e gratificação técnica pedagógica I e II. Isso vem provocando um afastamento natural do professor da sala de aula no decorrer de sua carreira. O que o Governo propõe é uma mudança na regra de incorporação de gratificações.
A partir de agora, com a aprovação do novo projeto, para incorporar as citadas gratificações, o professor necessita permanecer, no mínimo, 15 anos em sala de aula. Já na manhã de ontem houve o anúncio de que a administração pública estadual estaria acionando o Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe solicitando que seja decretada a ilegalidade da greve dos professores. Sobre o pedido de suspensão do ato democrático, a direção sindical voltou a criticar a atitude governista, apresentada pelos manifestantes como uma medida: autoritária e de real demonstração da falta de interesse em debater os assuntos que acercam os interesses de milhares de profissionais da educação pública. (Milton Alves Júnior)


