Milton Alves Júnior
Depois de oito dias com as atividades paradas em mais de 300 escolas, professores da rede estadual retomam nesta manhã os serviços educacionais. A decisão em suspender a greve geral e desocupar as dependências internas e externas da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Alese), foi deliberada na tarde de ontem quando os profissionais da educação voltaram a se reunir em assembleia extraordinária. Conforme anunciado oficialmente pela direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), o fim da unificação grevista se fez possível depois que o Governo do Estado decidiu retirar da pauta de análise dos deputados estaduais mudanças que, segundo a classe trabalhadora geravam, na prática, perdas de direitos conquistados desde o final da década de 1980.
Durante o encontro foi informado que a mobilização realizada desde a terça-feira da semana passada, dia 26, conseguiu alcançar os respectivos objetivos que eram pressionar o poder executivo estadual, a Secretaria de Estado da Educação, e a própria Alese, mantendo, assim, o direto ao triênio, o direito às incorporações das gratificações para aposentadoria e o direito a redução de ¼ da carga horária aos 20 anos de trabalho. Apesar desses avanços visualizados pelos servidores, o Sintese destacou que vai continuar mobilizado – sem suspensão das atividades escolares – para manter a redução de 1/5 da carga horária, aos 15 anos de carreira para todos e todas que estão na ativa. A professora Ivonete Cruz, atual presidente sindical, enalteceu a dedicação democrática adotada por dezenas de profissionais que optaram por intensificar o ato.
"Encerramos a nossa greve, voltamos para a sala de aula para finalizar o ano letivo, mas ficaremos permanentemente vigilância. Ficaremos em vigilía na Assembleia Legislativa, vamos encher aquelas galerias e vamos conquistar todas as nossas pautas, nenhum direito nos será retirado. O sucesso parcial dessa nossa luta somente se fez possível devido a garra dos professores e professoras do nosso estado. Foram dias intensos, de luta, resistência e desejo em evitar que conquistas fossem duramente retiradas pelo governador Belivaldo Chagas", declarou. No que se refere aos dias letivos que foram perdidos em virtude da greve, Ivonete Cruz garantiu que a fim de respeitar o número mínimo de dias letivos, todas as aulas suspensas serão devidamente repostas dentro dos próximos 15 dias.
"É nosso compromisso, é nossa missão. Durante todo o tempo em que estivemos em greve centenas de pais e estudantes também nos apoiaram. Diferentemente do que tentou fazer o Governo, os jovens, que por diversas vezes, inclusive com manifestações em frente às escolas, mostraram apoiar a nossa luta. Eles não serão prejudicados. As aulas serão repostas porque nosso compromisso é com o futuro deles e jamais devemos dar as costas a quem defende e apoia o nossos ideais", completou a presidente do Sintese. Sem a interferência direta da Secretaria da Educação, esse calendário de reposição será definido de forma individual por cada unidade escolar. A perspectiva é que ainda essa semana essas aulas comecem a ser ‘quitadas’.
O Governo do Estado de Sergipe não se manifestou oficialmente sobre o fim da greve. A reunião que definiu o reinício das atividades nas escolas foi realizada na sede do Instituto Histórico de Sergipe, região central de Aracaju. Mesmo local onde os professores haviam votado à favor da paralisação. Durante os oito dias de greve cerca de 150 mil estudantes ficaram sem aulas.


