Milton Alves Júnior
Consumidores de carne bovina no estado de Sergipe ainda não sentem a redução nos valores do alimento conforme o Governo Federal, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), está anunciando. Conforme comunicado apresentado desde a manhã de ontem, um levantamento governamental alega que a cotação da arroba (15 quilos) do boi gordo diminuiu de valor no final de dezembro; uma suposta queda real de aproximadamente 15%. Segundo a análise periódica do ministério, a arroba do animal estava cotada a R$ 180 no último dia 30. No início do mês passado, chegou a ser cotada em R$ 216. Maior pico inflacionário das últimas décadas. Em Aracaju, sobretudo nos mercados centrais, açougues e supermercados, esses valores seguem semelhantes ao do mês passado.
Ainda de acordo com as projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a arroba vai ficar entre R$ 180 e R$ 200 nos próximos meses, dependendo da região do país. Essa queda dos valores tão enaltecidas pela esfera administrativa federal supostamente chega para interromper a alta de 28,5% que elevou o preço da carne entre os meses de agosto e dezembro do ano passado. A perspectiva, porém, é de que o alimento não volte ao patamar inferior. Nesse caso, o quilo do quarto traseiro do boi que estava custando para açougues e distribuidoras R$ 13,50 há seis meses e chegou a custar R$ 18,90 em novembro, atualmente é cotado em R$ 17,70. Uma baixa já esperada por comerciantes e consumidores.
De acordo com o vendedor e proprietário de um açougue na zona Oeste de Aracaju, Rogério Salviano, depois da aceleração gradual dos preços, ele mesmo buscou conversar com os clientes e informar que as tabelas seriam novamente reajustadas, porém, para baixo. Em meio a esses diálogos ele garante que buscava chamar a atenção para a impossibilidade de redução para o mesmo patamar econômico presenciado até o final da segunda quinzena de novembro. "Eu recebi informações dando conta dessa possibilidade de redução, mas uma queda que não chegaria ao mesmo patamar de antes. Possuo esse açougue há 15 anos; percebi no bolso a força dessa inflação. Antes de ser comerciante de carne, frango e peixe, já era um nato apreciador de churrasco. Realmente com os preços anteriores estava difícil manter a tradição dominical", avaliou.
Mercado – Na região central da capital sergipana os consumidores alegam ainda não ter sentido a redução no quilo da carne bovina, suína e frangos. Essa diminuição nos preços deve começar a ocorrer até o final deste mês. Enquanto os preços seguem acima do desejado pelos consumidores, a procura pelo alimento segue tímida. Na tarde de ontem o JORNAL DO DIA esteve no Mercado Albano Franco e encontrou o servidor público Élder Bispo. Se autoavaliando consumidor apaixonado por churrasco, ele alega ter diminuido em até 60% a compra e o consumo da carne bovina e suína. "Eu já achava o preço ‘salgado’, mas ainda dava para levar. Gosto muito de carne não apenas no churrasco, mas de todas as formas. Com esse aumento ainda pra mim muito impactante, o jeito foi apelar mais para o frango e o peixe", disse.
Em novembro o preço médio do quilo da alcatra girava em torno de R$ 24, quando passou em dezembro para mais de R$ 34; o quilo do contra file saltou de R$ 26 para R$ 38; picanha nacional subiu de R$ 32 para a casa dos R$ 45; toscana aumentou de R$ 14 para em média R$ 21. O frango também seguiu o ritmo inflacionário pulando de R$ 11 para R$ 15.

