A Polícia Civil divulgou ontem detalhes do depoimento do major reformado da Polícia Militar José Roberto Coelho de Carvalho, que foi preso em flagrante na tarde da terça-feira, depois de tentar matar a própria esposa. O crime aconteceu na casa onde o casal morava, na rua Uruguai, bairro América (zona oeste). A mulher, ferida com dois tiros, foi internada em estado grave no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde passou por uma cirurgia, foi entubada e sedada. Até o fechamento desta edição, ela aguardava o resultado de um exame de detecção do coronavírus, antes de ser transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O auto de prisão em flagrante foi lavrado no Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), onde o major Coelho foi autuado e prestou depoimento à delegada Mariana Diniz. Ele admitiu ter atirado contra a esposa e tentado o suicídio em seguida, logo após uma briga. No depoimento, ele alegou que fez isso porque ela estaria fazendo compras no cartão de crédito, sem a autorização dele. "O suspeito confessou que disparou dois tiros contra a vítima e falou também que tentou efetuar disparos contra o próprio ouvido, mas a munição teria falhado", destacou.
José Roberto já respondeu a processos na Auditoria Militar, incluindo um Incidente de Insanidade Mental que foi instaurado em julho de 2016na 6ª Vara Criminal, após ele responder pelo desacato cometido contra um colega de farda. Uma perícia constatou que o major era dependente de álcool e portador de transtorno ansioso depressivo. Por isso, ele foi afastado do serviço e teve o porte de arma cassado em 2017, por decisão do juiz Guilherme Diamantino de Oliveira Weber.
Segundo a delegada, o próprio oficial reformado confirmou esse detalhe, mas admitiu que tinha em casa um revólver, que acabou apreendido pela PM logo após o crime e vai passar por uma perícia. "O autor ainda relatou que o porte de arma dele estava suspenso, pela Justiça, desde o ano de 2017, por apresentar transtornos psiquiátricos. Mas, ainda assim, ele possuía uma arma de fogo não registrada. Ele disse que ela tinha conhecimento, que tinha escondido, mas que ele procurou e encontrou a arma no guarda-roupa", complementou.
Mariana Diniz detalhou que, embora não houvesse registros contra ele, a filha da vítima contou em depoimento que a mãe dela estava sendo vítima de ameaças. "Não consta no sistema registros de ocorrência envolvendo as partes, muito embora filha da vítima, ouvida durante o auto de prisão em flagrante, disse que a vítima sofria ameaças de morte feitas pelo suspeito", informou.
O autor do crime foi autuado em flagrante e responderá pelos crimes de tentativa de feminicídio e posse ilegal de arma de fogo. Ele encontra-se detido no Presídio Militar (Presmil), aguardando novas decisões da Justiça.

